terça-feira, 14 de dezembro de 2010
...
"De pé, mas querendo continuar deitada a vida inteira, cronometrei o tempo achando que fosse passar rápido, e ao contrário. Nem passou. Levantei, moída na minha infelicidade e incerteza de vida, vejo no espelho um rosto que não me atracava à tempo demais. E por isso, irreconhecível. De baixo dos olhos, duas bolsas grotescas se depositaram em inchaço, e não sei como amenizar essa tristeza das lágrimas, esse trauma que se reaproxima. Saio de óculos escuros na rua, embora pareça não adianta muito - sentem meu desespero nos passos, meu comedimento em fugir do mundo, sem hora pra voltar, lenta no calçadão de quase todos os dias. Eu fico triste e não sei como disfarçar. Coloco a máscara da animada, a maquiagem da harmoniosa, calma e serena, e não funciona. E ouço qualquer música, e choro, choro, choro. Falo e soluço, injuriada com tudo e todos. Não quero mais me encantar com as menores coisas, me adaptar ao simplório, agir como se nada tivesse acontecido, me dói, me cansa e já não aguento mais. Acho que fiquei tanto tempo na mesmice, que me acostumar com o pouco de felicidade a cada dia, será novo, completo e intenso. Pelo menos, para mim. Mas seja o que Deus quiser e com uma tonalidade do que eu preciso também. Meus casos não são de vida ou morte, mas minha vida, é mais ou menos disso."
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Essas palavras chegam aqui como soluços..mas também como indício de força adormecida pra superação! Um belo texto!
ResponderExcluir