“Que ele teve presente durante o tempo em que sorrimos, nos conhecemos aos poucos e devagar, e íamos nos encantando, eu estava ciente. Apenas embalei junto com você o impulso que é viver em delírio e felicidade plena, camuflando todo esse susto que era a minha profundidade, e vivendo o momento presente. Até certo ponto, com prazo de validade. E ele começou a dominar. A situação, a sua mente, você inteiro, e conseqüentemente, eu. Nunca temerosa em sentir, mas em agir. Corria das imprevisibilidades, do humor instável e de tudo o que me confundia a cabeça. E ele infiltrou as ligações inesperadas, as mensagens cheias de carinho, os apelidos doces...Que então, sumiram. Puf! Foram desaparecendo, letargicamente, e o teu afastamento, como consequência.
Tentei curar toda essa epidemia com mais afeto, tirei uma paciência que não me é comum, não sei de onde, e fui até onde nem eu imaginava. Sem notar que, a fobia te acometia a cada olhar mais longo e singelo, a cada surpresa falhada em que eu tentava salvar tudo, ser superior e ignorar o pavor e pesadelo em que tudo se transformava, o sonho lindo que um dia surgiu, e foi se esvaindo. Fui adormecendo, e por mais devagar que fosse, no final era só receio, assombramento. Palpitações, taquicardia, olhar trêmulo e um não saber que me consumiu, que me endoideceu. Preciso de claridade, gosto de saber onde piso, da firmeza do caminho.
A possibilidade de segurança que eu transmitia não condizia ao teu espírito livre, à tua facilidade em chegar e abandonar castelos já construídos, possibilidades pré-moldadas. Tão opostos, que insistimos até o limite estourar. Melhor dizendo, insisti. Quebrei barreiras por mim impostas, cortei laços por mim feitos. Sozinha. Enquanto assistia ao longe a tua partida, e o meu rastejamento, a minha vontade de voltar pro final feliz, pro reino encantado e te levar junto, quebrei a cara - desconstruí o coração. Descobrindo apenas mais tarde que, o medo, aquele que te fazia as mãos suarem e os tchaus azedos, já tinha tomado conta, e não volta a ser o paraíso, a felicidade, e a paz de outros dias. Triste, but real. Que algum dia pelo menos desperte você dessa impossibilidade toda, e perceba que pensar não é escolha, nem caminho. É martírio. Que sentimento não explica lógica, e amor, loteria. E como é princípio meu, que o interessado, dá um jeito. Pra tudo, por todos. E que não seja tarde demais, pra que pelo menos você me alcance, e escute o que sempre te falei, mais uma vez, olhando nos olhos”.
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