não queria fazer uma retropectiva desse ano, mas vou abacar fazendo haha. Sabe, vou deixar esse ano no passado, passou, não porque foi ruim, não foi mesmo, apesar de ter quebrado a cara por muitas e muitas vezes delas tirei um aprendizado que levarei pro resto da vida, ja quebrei a cara várias vezes pelo mesmo motivo, a mesma situação, mas dessa vez eu sei que aprendi, só errando várias vezes pra aprender mesmo, apesar de TUDO esse ano foi MARAVILHOSO, conheci pessoas incríveis que quero levar ainda por muito tempo, se não pro resto da vida e também vi coisas em pessoas que nunca enxerguei antes, e essas vou deixar no passado também, mesmo elas tendo servido pra alguma coisa.
Devo agradecer a Deus por esse ano que aprendi e viví muitas coisas que levarei sempre, mas principalmente agaradecer a Ele por estar ao lado pra minha família, pessoas que me aceitam exatamente do jeito que eu sou sem por e nem tirar, apesar de qualquer coisa eles vão estar lá pra me estender a mão e me levantar da queda. Obrigada.
Hoje ja é o último dia do ano, 2011 ja está batendo na porta e digo a ele "entre por favor e faça valer a pena".,
"When you're gone no New Year's Day parade, you're gone, colors seem to fade"
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Preciso.
Ultimamente encontro-me em plena monotonia. Parece que o tempo parou ou ta passando muito devagar mesmo. Nada acontece, nada é novidade. Preciso de um empurrão, acordar. Preciso de alguma coisa pra pensar, me preocupar, perder meu tempo, lembrar. Vejo-me “sozinha” – sim, com aspas - sem rumo e muito menos direção. Apareça! vire o meu mundo de cabeça pra baixo e revire de novo, me ensine a viver, a amar. Quero rir, sonhar, sentir esse sentimento arrebatador. Vem, tire-me dessa vida, dessa monotonia, rotina. Apresente-me novos lugares, novas sensações, novas pessoas e coisas de qualquer tipo, apresente-me o mundo. Preciso tanto disso, você não sabe o quanto, preciso fazer loucuras de amor ou de qualquer outra maneira. E acima de tudo ensine-me a viver, quero e preciso VIVER.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
o melhor a ser feito é não fazer nada.
"Algumas vezes o melhor a ser feito é não fazer nada. É não esperar que o óbvio aconteça e nem que o que surpreenda chegue ou que o tempo passe tão logo. O tempo nunca é o mesmo para todos, eu já disse não só aqui que não tenho pressa, mas era balela pura. Minha impulsividade me condena e eu não sei como controlar. É vício esse atropelo, essa lenta intensidade que vem que vai e que explode.
Hoje sinto uma imensa saudade das coisas que não são sólidas, mas que mesmo assim fazem doer feito pedradas. Muita gente já me questionou sobre tudo isso, é tão simples: o que pra você não tem sentido algum, pra mim é o que dá sentido. Eu gosto dos pequenos frisos e das exorbitantes sensações que depois posso precisar esquecê-las."
Hoje sinto uma imensa saudade das coisas que não são sólidas, mas que mesmo assim fazem doer feito pedradas. Muita gente já me questionou sobre tudo isso, é tão simples: o que pra você não tem sentido algum, pra mim é o que dá sentido. Eu gosto dos pequenos frisos e das exorbitantes sensações que depois posso precisar esquecê-las."
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Colors - Amos lee
Ontem eu me perdi no circo
Sentindo-me como lixo
Agora eu estou para baixo, eu estou apenas pendurado
num canto
Eu não posso evitar,mas relembrar
Quando você está indo todas as cores desbotam
Quando você está indo não há parada de Ano Novo
Você está indo
As cores parecem desbotar-se
Sua mãe ligou,ela disse que você está chorando escada
abaixo
Sentindo-se confusa
Sim eu ouço você está no fundo gritando
O que aconteceu com seu doce vestido de verão
Eu sei,nós todos,nós todos temos nossas falhas
Nós começamos trancados em nossas caixas-fortes e
permanecemos
Mas quando você está indo todas as cores desbotam
Quando você está indo não há parada de Ano Novo
Você está indo
As cores parecem desbotar
As cores parecem desbotar
Sim
Sentindo-me como lixo
Agora eu estou para baixo, eu estou apenas pendurado
num canto
Eu não posso evitar,mas relembrar
Quando você está indo todas as cores desbotam
Quando você está indo não há parada de Ano Novo
Você está indo
As cores parecem desbotar-se
Sua mãe ligou,ela disse que você está chorando escada
abaixo
Sentindo-se confusa
Sim eu ouço você está no fundo gritando
O que aconteceu com seu doce vestido de verão
Eu sei,nós todos,nós todos temos nossas falhas
Nós começamos trancados em nossas caixas-fortes e
permanecemos
Mas quando você está indo todas as cores desbotam
Quando você está indo não há parada de Ano Novo
Você está indo
As cores parecem desbotar
As cores parecem desbotar
Sim
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
...
"De pé, mas querendo continuar deitada a vida inteira, cronometrei o tempo achando que fosse passar rápido, e ao contrário. Nem passou. Levantei, moída na minha infelicidade e incerteza de vida, vejo no espelho um rosto que não me atracava à tempo demais. E por isso, irreconhecível. De baixo dos olhos, duas bolsas grotescas se depositaram em inchaço, e não sei como amenizar essa tristeza das lágrimas, esse trauma que se reaproxima. Saio de óculos escuros na rua, embora pareça não adianta muito - sentem meu desespero nos passos, meu comedimento em fugir do mundo, sem hora pra voltar, lenta no calçadão de quase todos os dias. Eu fico triste e não sei como disfarçar. Coloco a máscara da animada, a maquiagem da harmoniosa, calma e serena, e não funciona. E ouço qualquer música, e choro, choro, choro. Falo e soluço, injuriada com tudo e todos. Não quero mais me encantar com as menores coisas, me adaptar ao simplório, agir como se nada tivesse acontecido, me dói, me cansa e já não aguento mais. Acho que fiquei tanto tempo na mesmice, que me acostumar com o pouco de felicidade a cada dia, será novo, completo e intenso. Pelo menos, para mim. Mas seja o que Deus quiser e com uma tonalidade do que eu preciso também. Meus casos não são de vida ou morte, mas minha vida, é mais ou menos disso."
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
...

"Assim como as estações, as pessoas têm a habilidade de mudar. Não acontece com freqüência, mas quando acontece, é sempre para o bem. Algumas vezes leva o quebrado a se tornar inteiro de novo. Às vezes é preciso abrir as portas para novas pessoas e deixá-las entrar. Na maioria das vezes, é preciso apenas uma pessoa que tenha pavor de demonstrar o que sente para conseguir o que jamais achou possível. E algumas coisas nunca mudam. E que comece o novo jogo."
"Dizem que, não importa qual seja a verdade, as pessoas vêem o que querem ver. Algumas pessoas podem dar um passo para trás e descobrirem que estavam olhando a mesma cena por todo o tempo. Algumas pessoas podem ver que suas mentiras quase acabaram com elas. Algumas pessoas podem ver o que estava na sua frente o tempo todo. E ainda há aquelas pessoas que correm o máximo que podem para não terem que olhar para si mesmas."
"Erros. Todos nós os cometemos. Eles geralmente começam com a melhor das intenções como manter um segredo pra proteger alguém. Ou se distanciando da pessoa que você se tornou. As vezes, nem sabemos os erros que cometemos para chegar onde se está. Ou descobrimos bem a tempo para acertar novamente. Mas cada erro acontece por uma razão. Pra te ensinar uma lição que nunca teria aprendido. E felizmente, você nunca mais cometer aquele erro novamente. Pra minha sorte isso nunca acontece."
"As estrelas que brilham mais fortes, são as que queimam mais rápido."
"Mesmo quando você não sabe para onde vai, ajuda saber que você não está indo sozinha. Ninguém tem todas as respostas. Às vezes, o melhor que podemos fazer é pedir desculpas, e deixar o passado no passado. Outras vezes, precisamos olhar para o futuro e saber que, mesmo quando achamos que vimos de tudo, a vida ainda pode nos surpreender, e ainda podemos surpreender a nós mesmos."
"Alguns dizem que o amor é um rio, alguns dizem que o amor é uma musica boba, alguns dizem que o amor está ao nosso redor, nos eleva para onde pertencemos, alguns dizem que o amor é ouvir risadas durante a chuva, mas .. todos nós sabemos que o amor é um sofrimento."
"O passado está sempre conosco, apenas esperando para bagunçar o presente."
"Ombreiras vem e vão, mas uma melhor amiga é para sempre"
"Há músicas que nos fazem querer dançar, músicas que nos fazem querer cantar junto, mas as melhores músicas são aquelas que nos levam de volta à primeira vez que as ouvimos e, mais uma vez, partem nosso coração."
"Quando o assunto é família, no fundo ainda somos crianças não importa o quão velho ficamos sempre precisamos de um lar para chamar de lar. Porque sem as pessoas que você mais ama, você não pode evitar em se sentir sozinho do mundo."
"Em um instante tudo muda. Esquecemos o passado e vamos em direção ao desconhecido, nosso futuro. Vamos para lugares distantes para tentar nos encontrar ou tentamos nos perder explorando prazeres perto de casa. Os problemas começam quando nos recusamos a mudar e voltamos aos velhos hábitos. Mas se prender-se muito no passado, o futuro pode nunca vir."
"Ás vezes o destino parece cruel. Te separa da pessoa que você pensa ser tudo na sua vida. Mas apesar de cruel, duvidoso e infeliz, ás vezes, o destino não erra. Uma história pra ser quase perfeita precisa ter curvas. E o relógio não pode soar sempre á meia-noite."
"Esqueça uma grande entrada, todos sabem que é da saída que lembrarão."
X.O.X.O. Gossip Girl.
não importará.
"Foi em Abril, dirá abril e maio. Ou Setembro, Outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo (...)"
Vi da vida.
Então eu disse pra vida: chega. Muda logo, vai. Antes que eu mude de opinião, ou te sacoleje, aja impulsiva e transtornada, como quando você insiste em dar erro. Desbanca esse papel de drama europeu, e pula logo pra parte do roteiro em que tudo fica mesmo nonsense, romance barato, novela mexicana. E o que fez ela, essa tratante? Parou. Estancou, estacionou. Deixou cada mastigada do que eu como sem gosto, cada gole do que bebo sem refrescar, e inanimada com qualquer novidade furtiva, que deveria emocionar. Esqueceu de aumentar o volume, e ainda, com a maior audácia, fez questão de pressionar o mute. Bandoleira. Jogou de volta pra dentro do baú de irracionais fantasias, e irreais expectativas todas as cores do arco-íris, sem esquecer, o tesouros que me danei pra ganhar, no caminho. Tudo em vão, penso. Uma malfeitora, é o como premio essa vivência dos tempos atuais. (..) Faz com que eu aceite de cabeça baixa e boca cerrada todos os nuncas que despejei com certeza forte, e faz chover imprevisibilidades na rota que percorro.
Existência retirante, indigesta. Não a que me assaltou, e levou a infelicidade e improdutividade na sola do pé. Vida bandida, sim, aquela que me tirou do colo os afagos incompletos de tramitar entre a felicidade irradiante, e o fundo do poço escaldoso. De lágrimas, de porres, de sonhos rasgados.Mas, surpreendidos. Atenciosos, e até mesmo, desejosos de atenção. De repente, final de combustível. Momentos repetidos, um dia depois do outro; TODOS RIDÍCULAMENTE IGUAIS. Sem mais feitiços e manobras radicais. Loucuras, por vinte e quatro horas banais. Entediantes, decoradas.
Vitalidade intocada, mal amada, improvisada. Sem suplicar, é pedir demais que você desenhe a folha inteira, ao invés de deixar esses espaços enormes em branco? [b]Sem medo nenhum, será que dá pra serem maravilhosos meus dias futuros, todos esses meses pela frente? [/b]Não esquecendo as falas, as legendas, as serenatas de amor que minha janela aberta não recebe de jeito nenhum - e aguarda ansiosa. Apenas questionando, pra que tudo isso valha a pena, mereça existir. Que se encontrem as falhas, os tão ditos circuitos que não funcionam, e sim, fracionam o antes estremecedor nesse rio sem ondas, e marés cheias, quase lago, que corre fluído e espaçoso sem mais agitações. O córrego que passa então, lento, e sem topar nas pedras, sem se deixar contaminar pela agressividade chuvosa. Não nasci pro banho maria, não. Quero mais é que queime, que borbulhe, incendeie. Trocar combustível, por combustão. Por mais que, quem esteja dentro da panela, seja eu. Que se faça chover, e molhe o corpo inteiro, como quem renasce, e dança feliz. Que eu tope por aí com quem não vejo há tempo, que encontre no meio da carteira, algum bilhete qualquer, quem sabe uma luz na lâmpada que acende em cima da cabeça: idéias, aceito. Viagens, ainda mais. Risadas, cumplicidades, músicas reunidas, pecados docéis. Comida boa, companhia maravilhosa, bagunça organizada. Mergulhar, e encontrar conchas inéditas, peixes fujões, repostas. Que os dias se preencham de luzes imediatas, e momentos peculiares. Dá lugar vida, saí dessa fossa, levanta do chão que subindo na árvore a gente pega aquela flor e coloca na orelha, finge que é Jane e quem sabe, encontra Tarzan. A cem por hora, ritmo acelerado; sem mesmice, estagnação. Reergue, reflora, reascende, revive. Vida vadia, ou vida vazia? Tanto faz, maldita.
Camila Paier
Existência retirante, indigesta. Não a que me assaltou, e levou a infelicidade e improdutividade na sola do pé. Vida bandida, sim, aquela que me tirou do colo os afagos incompletos de tramitar entre a felicidade irradiante, e o fundo do poço escaldoso. De lágrimas, de porres, de sonhos rasgados.Mas, surpreendidos. Atenciosos, e até mesmo, desejosos de atenção. De repente, final de combustível. Momentos repetidos, um dia depois do outro; TODOS RIDÍCULAMENTE IGUAIS. Sem mais feitiços e manobras radicais. Loucuras, por vinte e quatro horas banais. Entediantes, decoradas.
Vitalidade intocada, mal amada, improvisada. Sem suplicar, é pedir demais que você desenhe a folha inteira, ao invés de deixar esses espaços enormes em branco? [b]Sem medo nenhum, será que dá pra serem maravilhosos meus dias futuros, todos esses meses pela frente? [/b]Não esquecendo as falas, as legendas, as serenatas de amor que minha janela aberta não recebe de jeito nenhum - e aguarda ansiosa. Apenas questionando, pra que tudo isso valha a pena, mereça existir. Que se encontrem as falhas, os tão ditos circuitos que não funcionam, e sim, fracionam o antes estremecedor nesse rio sem ondas, e marés cheias, quase lago, que corre fluído e espaçoso sem mais agitações. O córrego que passa então, lento, e sem topar nas pedras, sem se deixar contaminar pela agressividade chuvosa. Não nasci pro banho maria, não. Quero mais é que queime, que borbulhe, incendeie. Trocar combustível, por combustão. Por mais que, quem esteja dentro da panela, seja eu. Que se faça chover, e molhe o corpo inteiro, como quem renasce, e dança feliz. Que eu tope por aí com quem não vejo há tempo, que encontre no meio da carteira, algum bilhete qualquer, quem sabe uma luz na lâmpada que acende em cima da cabeça: idéias, aceito. Viagens, ainda mais. Risadas, cumplicidades, músicas reunidas, pecados docéis. Comida boa, companhia maravilhosa, bagunça organizada. Mergulhar, e encontrar conchas inéditas, peixes fujões, repostas. Que os dias se preencham de luzes imediatas, e momentos peculiares. Dá lugar vida, saí dessa fossa, levanta do chão que subindo na árvore a gente pega aquela flor e coloca na orelha, finge que é Jane e quem sabe, encontra Tarzan. A cem por hora, ritmo acelerado; sem mesmice, estagnação. Reergue, reflora, reascende, revive. Vida vadia, ou vida vazia? Tanto faz, maldita.
Camila Paier
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Antes
"Antes céu do que terra, antes ação que espera. Antes extremista que em cima do muro, antes tudo claro que submergir escuro. Antes fogo que água, antes tudo que nada. Antes sensível que petrificada, antes sentimental que mal amada. Antes louca que coisa pouca. Antes inconstante que acomodada, antes adiantada à atrasada. Antes ansiosa que desestimulada. Antes sincera que dissimulada. Antes quente e letrista que fria e calculista. Antes mandona, que submissa. Antes prolixa, que calada. Antes impulsiva, que indiferente. Antes opinião à complacência, antes emoção que ciência. Antes na fossa que enrolada, antes amor e mais nada. Antes vento que ventania, antes bom senso à ironia. Antes respeito à admiração, antes charme à beleza; antes cama, à mesa. Antes sorriso à desagrado, antes um beijo e abraço apertado. Antes seletiva que influente, antes bicho do mato que crente. Antes ferina que fugaz, antes pra frente que pra trás. Antes sensível que apática, antes sensata que trágica. Antes insône que adormecida, antes fera que ferida. Antes ingênua a cética, antes arte à estética. Antes detalhes à generalização, antes voz que violão. Antes intuição à lógica, antes tequila à vodka. Antes flor que fruto, antes terno que bruto. Antes originalidade que imitação, antes liberdade à segregação. Antes simplicidade à complicação, antes mergulho que superficialidade; antes afago que maldade. Antes contos de fada que terror, antes paixão e agora amor. Antes selvageria que delicadeza, antes alegria e de repente, tristeza. Antes timidez que euforia, antes sozinha que maioria. Antes sol que mormaço, antes inteiro que pedaço. Antes coragem a medo e sinceridade que segredo. Antes tentativa que imaginação, antes harmonia à frustração. Antes dramática que glacial, antes imperfeita que artificial. Antes lembrança que memória, antes enredo que história. Antes companhia que solidão, antes sim e nunca não. Antes afetos, que fatos; antes ao vivo que retrato. Antes viagem que sumiço, antes por que e depois por isso. Antes energia que sedentarismo, antes vôo que abismo. Antes o mundo que o país, antes alguns sonhos, que refiz. Antes eu, depois você."
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Vazio
"Deito na mesma cama que é só minha e tem o melhor cobertor lilás da face classe média da terra, e: não sai nada. Leio um livro. Penso em como foi meu dia. Rabisco uma centena de frases desordenadas, complexas. Tudo vazio. Nenhum rosto que me dê saudade, ninguém que eu queira muito ver amanhã de manhã, que me faça lembrar o nome do perfume, ou por quem eu atravessaria o mundo, se preciso. Nadinha. Bate aqui no peito, cê sentiu? Oco. Beliscão já não machuca também, zero para a dor, menos um para a vibração. Por mais que grite, o eco volta - não há quem ouça do outro lado do abismo. Eu antes rezava, e pedia tanto, agradecia por tudo, conversava com Deus. Hoje nem sei mais o que quero, e fico só naquele clichê ave-maria e pai-nosso, e olhos fechados, morta de sono. Deixando meus santinhos, e minhas crenças, meu duende e o que me fazia acreditar em alguma final feliz, para trás, assim como você ficou na parte do caminho que nem ao menos enxergo; distante. Eu precisava de uma fé incalculável para arrastar aquele amor como fazia - pelas ruas, com lágrimas nos olhos - e então me agarrava como podia, no que dava, ia aparecendo. Fosse espiritismo, umbanda, numerologia ou os astros.
Agora que ele se foi, ficou o vazio, e uma vontade de guardar bem alto o álbum de recordações, e comprar um outro novo, com capa muito mais dura, e de beleza ímpar. Me julgo forte enquanto escuto uma música que antes me fazia querer morrer, e contrariada, continuo indiferente; impassível. Simplesmente porque não há mais o que sentir, e eu ando congelando no deserto. Deixando que a areia esvoace, o tempo passe, e a ampulheta esvaia os dois em tempo recorde. Pra que eu fique assim, calada e desinteressada, levando a vida com um jeitinho brasileiro que nunca me foi usual. Pacata, como nunca havia sido. Leve, quem sabe. E dar espaço para que as surpresas tornem a aparecer, dêem tempero ao caldo frio que a vida me dá, na maioria das vezes. Antes uma julgadora de quem nada sente, hoje eu compreendo, assinto a cabeça, reforço o coro. O que eu mais tinha medo que acontecesse, é que eu me tornasse indiferente e descrente de tudo aquilo que me fazia tentar mais uma vez, e outra mais. Conseguir não ter mais vontade de lembrar o seu número deletado do meu novo celular é uma vitória e tanto. Assistir aos filmes clichês americanos, e pensar que toda aquela babaquice não se aplica mesmo na vida real, sem chances para a ilusão. Ver os casais e refletir que ne sempre é o amor que vemos, que há por dentro, de muita traição está à solta e não a vêem, que há interesses divergentes entre relacionamentos de aparente igualdade, e que muitas vezes, o que sentimos não passa de uma novela mexicana das mais mal produzidas: nos engana direitinho, até o final. Ainda nos faz perder tempo com todo esse besteirol. Cética, duplamente forte, protegida. Na minha lista do que deve voltar ao normal, ainda não olho para as pessoas com curiosidade e atenção, e todos ainda me são tão desinteressantes, iguais e sem nenhum brilho despudorado, digno de tempo e atenção. Se disser que não choro mais, é verdade também. Absoluta ainda não, porém, passo pela esquina no caminho do teu prédio, e tem dias que nem noto. Insensibilizar nunca me foi tão aliviante, renascedor. Por mais longínquo que esteja o ano novo, me dá vontade de comemorar essa nova fase que em mim inicia por agora, e se transmuta em atitudes e pensamentos; aprendizados e crescimento. Mente aberta, e folha em branco, decidida. Começa hoje o novo capítulo de um ciclo que se não for inovador na marra, será por obrigação. Ousado, desconcertante, intenso. Alucinante, desgovernado. De agora em diante, do meu jeito, com a minha digital, por mim assinado. Se perguntarem por onde anda a menina dos sonhos impossíveis, com mil e uma histórias de amor, e um coração que nela não cabe, diz que foi passear - que conhecer novos campos se fez necessário, crucial. Caneta, por favor?"
Camila Paier
Agora que ele se foi, ficou o vazio, e uma vontade de guardar bem alto o álbum de recordações, e comprar um outro novo, com capa muito mais dura, e de beleza ímpar. Me julgo forte enquanto escuto uma música que antes me fazia querer morrer, e contrariada, continuo indiferente; impassível. Simplesmente porque não há mais o que sentir, e eu ando congelando no deserto. Deixando que a areia esvoace, o tempo passe, e a ampulheta esvaia os dois em tempo recorde. Pra que eu fique assim, calada e desinteressada, levando a vida com um jeitinho brasileiro que nunca me foi usual. Pacata, como nunca havia sido. Leve, quem sabe. E dar espaço para que as surpresas tornem a aparecer, dêem tempero ao caldo frio que a vida me dá, na maioria das vezes. Antes uma julgadora de quem nada sente, hoje eu compreendo, assinto a cabeça, reforço o coro. O que eu mais tinha medo que acontecesse, é que eu me tornasse indiferente e descrente de tudo aquilo que me fazia tentar mais uma vez, e outra mais. Conseguir não ter mais vontade de lembrar o seu número deletado do meu novo celular é uma vitória e tanto. Assistir aos filmes clichês americanos, e pensar que toda aquela babaquice não se aplica mesmo na vida real, sem chances para a ilusão. Ver os casais e refletir que ne sempre é o amor que vemos, que há por dentro, de muita traição está à solta e não a vêem, que há interesses divergentes entre relacionamentos de aparente igualdade, e que muitas vezes, o que sentimos não passa de uma novela mexicana das mais mal produzidas: nos engana direitinho, até o final. Ainda nos faz perder tempo com todo esse besteirol. Cética, duplamente forte, protegida. Na minha lista do que deve voltar ao normal, ainda não olho para as pessoas com curiosidade e atenção, e todos ainda me são tão desinteressantes, iguais e sem nenhum brilho despudorado, digno de tempo e atenção. Se disser que não choro mais, é verdade também. Absoluta ainda não, porém, passo pela esquina no caminho do teu prédio, e tem dias que nem noto. Insensibilizar nunca me foi tão aliviante, renascedor. Por mais longínquo que esteja o ano novo, me dá vontade de comemorar essa nova fase que em mim inicia por agora, e se transmuta em atitudes e pensamentos; aprendizados e crescimento. Mente aberta, e folha em branco, decidida. Começa hoje o novo capítulo de um ciclo que se não for inovador na marra, será por obrigação. Ousado, desconcertante, intenso. Alucinante, desgovernado. De agora em diante, do meu jeito, com a minha digital, por mim assinado. Se perguntarem por onde anda a menina dos sonhos impossíveis, com mil e uma histórias de amor, e um coração que nela não cabe, diz que foi passear - que conhecer novos campos se fez necessário, crucial. Caneta, por favor?"
Camila Paier
Esnobe
"Sempre fui assim, acanhada; despercebida, low profile. Foragida de gritos escandalosos, abraços demasiadamente apertados, ou barracos em lugares cheios. Cética, escolhia ficar de fora de todo esse tráfego intenso de movimentos e superficialidades. Observadora das sensações alheias, interrogadora de dores e delícias, questionadora de posicionamentos, virtudes, e verdades. Contudo, mantendo tal barreira divisória e indivisível; necessária. Aquele ponto crucial entre se tornar, ou ficar apenas na especulação. E aí, às vezes, vinha alguém e comentava com não sei quem outro, fulano de tal, o que chegava até mim: é metida. Ou diziam então, que: ela é esnobe. Enjoada. Quando na verdade, era só essa minha mania infantil de observar o movimento dos corpos, suas alegorias endógenas e restritas, tentando decifrar sempre, quando é que o ser que somos de fora, se une à toda essa intimidadade oculta que carregamos dentro de nós. Ver, antes de agir; sempre. Sem nunca encontrar a resposta, me permitindo teorizar que, alguns vinham para a vida carregados de uma sorte que, outros só teriam em pensamento - ou sonho. E falavam então, que ela olhava de cima, por entre o nariz empinado, e o pescoço erguido (com um ar superiormente egípcio que nem eu mesma havia conhecido em mim), com desprezo e dó por todos esses e aqueles que por entre o cotidiano atravessavam. Enquanto não passava de uma menina com olhos atentos e vivos, a boca semi-cerrada , figurando a mesma cara amarrada de sempre. Insegura, descabida em si. Olhando para os pés, ou mesmo decifrando o chão e quaisquer desigualdades nele postas, caminhos ainda incompreensíveis, distintos. Ajeitando as roupas meio amassadas, e fingindo pouco ligar pro resto do mundo: feliz apenas em estar consigo e ninguém mais; completa numa solidão cúmplice de ser sozinha - e não se descabelar por conta disso. Tendo em mente que em sua própria companhia, não há margem para o erro, não existe quem a trairá. E se com cuidado me amedontra estar com os outros, e expor minha opiniões e gostos, isso é medo puro, e não falta de vontade. Cuidado, e não efusividade. Porque as conclusões exatas, só podem ser tiradas do forno quando conhecemos o não só as lágrimas, quanto o sorriso alheio. As graves faltas, os desejos mais profundos e disseminados. Convencidos somos todos nós, das próprias crenças, daquilo que nos cerca e podemos atingir. Talvez por isso, assim quieta e desinteressada nos fatos comuns, nas histórias repetitivas, e das pessoas sem sal nem pimenta, assim: esnobando a vida, se resguardando em si. Don't be shy!"
Camila Paier
Camila Paier
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Porque era ele, porque era eu
“- Eu sei também que senti a sua falta. Do seu olhar firme, da sua risada alta. Caminhei por entre os dias assim triste, desvairada. Incompreendida, de alma cinzenta. Esperando você vir me salvar com alguma carta na manga, desculpa manjada.
- Distante de você, me dei conta. Só poderia ser assim, sem você para falar, e mudar sempre os ares, os rumos, qualquer coisa que construíamos.
(...)
- Aqui estamos nós, no ponto de onde não saímos nunca. Eu inconstante, você impulsiva. É um impasse e tanto, divisível, tortuoso. Sei que daqui uns dias você vai vir com alguma surpresa impetuosa, e eu vou me fechar, até que compreenda tudo, e volte sentindo a sua falta.
- Verdade, sim. Mas você volta, e nada muda. Não diz nunca o que sente, não se abre por completo. Era tudo o que eu precisava: as cartas na mesa, os dados rolando, e um mergulho nessa nossa confusão.
- Se você estiver preparada pro jogo começar, venha então. Te prometo deixar submergir, e até mesmo, acompanhar nessa divagação toda.
- Promete mesmo? Com direito à claridade, e tudo?
- Com luz, água, peixinhos pequenos e até mesmo, golfinhos. Sem coletes, ou bóias, que te salvo quando necessário.
(E as coisas seriam tão mais fáceis, se assim fossem. Se não houvessem sustos, quereres incontidos, sumiços repentinos, e voltas premeditadas. Se essa saudade não cortasse o peito, e tirasse o ar, ocasionalmente. Sem surpresas, já, o fechamento quase completo desse ciclo de altos e baixos, que emocionou e causou furor, desordem. Por mais que essa ausência quase grite, e desenhe todo o caos, repito em vão, para mim mesma, que: pode doer, mais vai passar. E cicatrizar, curar todos os males que coagiam o que é bom de acontecer. Porque era ele, por que era eu. Nunca fomos nós, mas como dupla, dois desencaixáveis. Duas contradições, somando apenas incompreensão, resultados inexatos. Se tudo fosse como nessa conversa de paz, num sonho bom e numa dimensão inexistente, o caminho era livre para qualquer impulso e inconstância, embebidos em afeto, paixão, sentimento. Amor.)”
Camila Paier
- Distante de você, me dei conta. Só poderia ser assim, sem você para falar, e mudar sempre os ares, os rumos, qualquer coisa que construíamos.
(...)
- Aqui estamos nós, no ponto de onde não saímos nunca. Eu inconstante, você impulsiva. É um impasse e tanto, divisível, tortuoso. Sei que daqui uns dias você vai vir com alguma surpresa impetuosa, e eu vou me fechar, até que compreenda tudo, e volte sentindo a sua falta.
- Verdade, sim. Mas você volta, e nada muda. Não diz nunca o que sente, não se abre por completo. Era tudo o que eu precisava: as cartas na mesa, os dados rolando, e um mergulho nessa nossa confusão.
- Se você estiver preparada pro jogo começar, venha então. Te prometo deixar submergir, e até mesmo, acompanhar nessa divagação toda.
- Promete mesmo? Com direito à claridade, e tudo?
- Com luz, água, peixinhos pequenos e até mesmo, golfinhos. Sem coletes, ou bóias, que te salvo quando necessário.
(E as coisas seriam tão mais fáceis, se assim fossem. Se não houvessem sustos, quereres incontidos, sumiços repentinos, e voltas premeditadas. Se essa saudade não cortasse o peito, e tirasse o ar, ocasionalmente. Sem surpresas, já, o fechamento quase completo desse ciclo de altos e baixos, que emocionou e causou furor, desordem. Por mais que essa ausência quase grite, e desenhe todo o caos, repito em vão, para mim mesma, que: pode doer, mais vai passar. E cicatrizar, curar todos os males que coagiam o que é bom de acontecer. Porque era ele, por que era eu. Nunca fomos nós, mas como dupla, dois desencaixáveis. Duas contradições, somando apenas incompreensão, resultados inexatos. Se tudo fosse como nessa conversa de paz, num sonho bom e numa dimensão inexistente, o caminho era livre para qualquer impulso e inconstância, embebidos em afeto, paixão, sentimento. Amor.)”
Camila Paier
terça-feira, 14 de setembro de 2010
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Queria poder encher a boca para dizer: eu te odeio. Detestar absolutamente tudo em você, desde a sua altura imensa, suas mãos charmosas, à sua sinceridade de gentil boa praça. Sua leveza de viver, tão incompatível à minha densidade ferrenha. Impedir que nada mais mexa comigo e meu humor, como algum dia acelerou o peito, me fez suar as mãos e sorrir feito uma figura dopada; irracional. Abominar a sua preocupação com a minha pessoa - mesmo não sendo mais próximo, e sim exilado da minha convivência. Por mim, essa ditadora inábil. As artimanhas infantis que ainda arquiteta pra saber sobre o que ando fazendo, minhas mudanças físicas, meu estado de espírito. E é um ódio que não chega. Não me vem nunca. Pombo correio desgovernado, celular desligado, chuva.
Mesmo enumerando algumas razões descabidas para que eu consiga by myself, inserir desprezo, na imensidão de sentimentos que ainda existe aqui, anda impossível. Se eu me arrependi? Como sempre. Sei que conviver com a minha personalidade forte é algo complicado. Incompreensível. Enlouqueço, e então, quando me toco do tamanho do transtorno que causei, já foi. Passionalidade no sangue, e essa urgência em viver, impressa na alma. Agora, completamente opostos que somos, tento não pensar em você nenhuma vez ao dia, não querer morrer quando leio o seu nome pichado em algum muro, e segurar as lágrimas quando passa qualquer com outro homem com o seu perfume, que eu amo. Simplesmente não aguento mais ver horas iguais, e nada de diferente acontecer na minha vida. Não era para alguém estar pensando em mim? Quem é que pensa tanto, e não age nunca? Deixe o medo de lado, minha loucura não te atinge. Venha, ligue. Se arrependa você também, para que eu me sinta menos sozinha e confusa, menos reprimida, até normal.
Não tem sido fácil. As pessoas se cansam de mim sofrível assim, dessa minha angústia quilométrica, e que vai, volta, se alterna entre a felicidade imensa de quando você retorna; infelicidade ferina quando se esvai, livre. Ninguém me entende por completo. Dizem todos: "sai dessa fossa, vamos curtir a noite, celebrar a vida." Mas a verdade é que não estou pronta. Ou ainda não consigo dançar até o chão, rebolar com provocação, beber e esquecer que você existe. Travo. Sabendo que não terá regresso, me culpo um pouco, te penso tanto. Colocar linha na agulha e fechar o ponto, dar o nó para que feche. Se ao menos eu renegasse o seu gosto musical com gosto, e enjoasse do seu sotaque acertado, facilitaria. Antipatizasse com essa sua felicidade matinal, e o jeito estranho com que faz torradas, no café da manhã. Execrasse o seu dilema de vida, a sua inconstância que me fazia surtar. Fico então lembrando que teu silêncio era conivente ao meu, sentada ao teu lado enquanto dirigias, ou assistia a qualquer filme meia-boca; primeira dama de um reino inexistente, que nunca fui coroada.
Que eu consiga seguir em frente, sem esperar pela tua mão no meu ombro, por você em esquina qualquer. Ou veja com maior claridade que o que é melhor pra nós dois, seria fugir dessas faíscas, fagulhas e centelhas que vibram, quando juntos. Mas que não aquecem suficientemente, quando separados. Por enquanto, apenas eu e essa falta sufocante, que aperta e fere, machuca e tira a paz - quase minha sombra, acompanhando até mesmo em momentos de privacidade, e invadindo pensamentos, falas e uma rotina inteira. Que eu consiga olhar para os seus defeitos com mais realidade, e menos enfeites. Que se for ainda tempo, ou ainda houver salvação, você também veja que errados estamos os dois, e olhar nos olhos pode ser uma solução. Porque me resumo entre cansada de plantar uma amargura que não quero, e não vejo nenhuma outra alternativa a não ser te querer de volta, sempre. Semente que não brota, raiz que não pega, trem que descarrilha. Virar de costas sem olhar pra trás tem sido árduo, torturante. Corpo no chão, cansaço vil, folhas e folhas em branco. Me rendo. Quando será que tudo vai voltar a fazer algum sentido?
Camila Paier
Mesmo enumerando algumas razões descabidas para que eu consiga by myself, inserir desprezo, na imensidão de sentimentos que ainda existe aqui, anda impossível. Se eu me arrependi? Como sempre. Sei que conviver com a minha personalidade forte é algo complicado. Incompreensível. Enlouqueço, e então, quando me toco do tamanho do transtorno que causei, já foi. Passionalidade no sangue, e essa urgência em viver, impressa na alma. Agora, completamente opostos que somos, tento não pensar em você nenhuma vez ao dia, não querer morrer quando leio o seu nome pichado em algum muro, e segurar as lágrimas quando passa qualquer com outro homem com o seu perfume, que eu amo. Simplesmente não aguento mais ver horas iguais, e nada de diferente acontecer na minha vida. Não era para alguém estar pensando em mim? Quem é que pensa tanto, e não age nunca? Deixe o medo de lado, minha loucura não te atinge. Venha, ligue. Se arrependa você também, para que eu me sinta menos sozinha e confusa, menos reprimida, até normal.
Não tem sido fácil. As pessoas se cansam de mim sofrível assim, dessa minha angústia quilométrica, e que vai, volta, se alterna entre a felicidade imensa de quando você retorna; infelicidade ferina quando se esvai, livre. Ninguém me entende por completo. Dizem todos: "sai dessa fossa, vamos curtir a noite, celebrar a vida." Mas a verdade é que não estou pronta. Ou ainda não consigo dançar até o chão, rebolar com provocação, beber e esquecer que você existe. Travo. Sabendo que não terá regresso, me culpo um pouco, te penso tanto. Colocar linha na agulha e fechar o ponto, dar o nó para que feche. Se ao menos eu renegasse o seu gosto musical com gosto, e enjoasse do seu sotaque acertado, facilitaria. Antipatizasse com essa sua felicidade matinal, e o jeito estranho com que faz torradas, no café da manhã. Execrasse o seu dilema de vida, a sua inconstância que me fazia surtar. Fico então lembrando que teu silêncio era conivente ao meu, sentada ao teu lado enquanto dirigias, ou assistia a qualquer filme meia-boca; primeira dama de um reino inexistente, que nunca fui coroada.
Que eu consiga seguir em frente, sem esperar pela tua mão no meu ombro, por você em esquina qualquer. Ou veja com maior claridade que o que é melhor pra nós dois, seria fugir dessas faíscas, fagulhas e centelhas que vibram, quando juntos. Mas que não aquecem suficientemente, quando separados. Por enquanto, apenas eu e essa falta sufocante, que aperta e fere, machuca e tira a paz - quase minha sombra, acompanhando até mesmo em momentos de privacidade, e invadindo pensamentos, falas e uma rotina inteira. Que eu consiga olhar para os seus defeitos com mais realidade, e menos enfeites. Que se for ainda tempo, ou ainda houver salvação, você também veja que errados estamos os dois, e olhar nos olhos pode ser uma solução. Porque me resumo entre cansada de plantar uma amargura que não quero, e não vejo nenhuma outra alternativa a não ser te querer de volta, sempre. Semente que não brota, raiz que não pega, trem que descarrilha. Virar de costas sem olhar pra trás tem sido árduo, torturante. Corpo no chão, cansaço vil, folhas e folhas em branco. Me rendo. Quando será que tudo vai voltar a fazer algum sentido?
Camila Paier
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Dói, mas passa.
Chorei. Assim como vinha deixando que o berreiro se fizesse vivo, dei início à sessão das lágrimas na lotação, ao olhar a chuva que caía na janela, e a tarde de sentimentos estranhos e intrínsecos. Bem verdade que vinha me emocionando com facilidade, e sem motivo aparente. Com reportagens banais, e músicas melancólicas. Nos livros que tenho lido, e no escuro, sozinha e imersa na minha tristeza que nem ao menos consigo compreender. Com soluços. Sem pausas. Extirpando toda essa dor que vem, e não passa, e quando vira felicidade, de tão aguda, se torna insuportável. Quase um sentimento hemofílico, que não estabiliza nunca: quando começa a cicatrizar, não processa bem; é ferida aberta, cutucada.
Mais uma vez, solitária no mundo, sentada sem vista pra rua, com essa incompreensão no peito e uma angústia que não desgruda de vez. Enquanto todos me dizem que preciso ser forte, que o silêncio é arma, a indiferença é o que mata, e viver é preciso, meu único pensamento é em comprar passagens aéreas e sumir pelo mundo. Deliberar sem mais recados, fugir de toda essa loucura que acomete as pessoas, o medo nojento que os outros têm de dar amor, e receber também em troca. O amor é essa ciranda onde todos rodeiam, e cantam, exibem sorrisos e feições de satisfação, em que eu me encontro excluída, sentada num canto, de braços cruzados e cara amarrada. Ninguém me convida, e fico apenas atenta, observando os casais que se completam, a vida que se move, e os beijos que não dou, as juras eternas que não escuto. Fujo algumas vezes, tapo os olhos em outras, mas a roda incessante e desgovernada apenas brinca de bobinho comigo e minha esperança em ser chamada; garotinha tola que quer se divertir um pouco, e não sabe entrar - apenas pedir, pedir e pedir, nunca penetrando de vez. Se deixando iludir por cartas, e signos, mensagens inoportunas, sinais divinos, que na verdade dizem nada e fantasiam qualquer dúvida posta em questão.
Fica difícil assim me focar em mim de imediato, em tudo que sinto, em curar a cada dia toda essa peste que me tomou o alma, e embeveceu a vivacidade que eu carreguei, até aqui: só se vê os defeitos, aquilo que precisa ser melhorado, e expectativas tão longínquas, que não satisfazem, e sim, enlouquecem. Só quando sozinha é que me deixo ficar meio down, e coloco o dedo na ferida. Escuto músicas sofríveis, e leio melancolias. Dói, mas passa. E esse desespero de me verem assim na fossa, mal à beça? Calma, que preciso escancarar essa dor até o final, que ela é só minha, e libertar o peito, a alma, o cuore. Tirar talvez um ódio de onde não consigo, e de quem não tenho, mesmo que passageiro, para que eu sobreponha no local onde ainda há quase tudo o que sinto, e que precisa ser esvaziado, pouco a pouco. Sair desse poço, largar de vez o osso, desses restos que não alimentam, e sim, atrofiam o que de belo existia, e se queria profundamente. Porque ainda é setembro, e toda uma primavera virá, até que se torne verão novamente. Terá passado tanto tempo, que as respostas chegarão sem medo e nem culpa, e voltarei a ser inteira como fui até certo tempo. Sem voltas comemoradas, e inexplicáveis. Sem apagar do caderno, mas riscar por cima o nome; ter astúcia suficiente de virar mais essa página pesarosa Sem mais chances, que depois da segunda, a terceira não tem argumentos para vingar. É topando em pedras, que vislumbramos com mais atenção as flores que nascem, as gotas de orvalho da grama, a raiz de tudo. Desde os sentimentos mais profundos, profanos, ao mundo.
Camila Paier
Mais uma vez, solitária no mundo, sentada sem vista pra rua, com essa incompreensão no peito e uma angústia que não desgruda de vez. Enquanto todos me dizem que preciso ser forte, que o silêncio é arma, a indiferença é o que mata, e viver é preciso, meu único pensamento é em comprar passagens aéreas e sumir pelo mundo. Deliberar sem mais recados, fugir de toda essa loucura que acomete as pessoas, o medo nojento que os outros têm de dar amor, e receber também em troca. O amor é essa ciranda onde todos rodeiam, e cantam, exibem sorrisos e feições de satisfação, em que eu me encontro excluída, sentada num canto, de braços cruzados e cara amarrada. Ninguém me convida, e fico apenas atenta, observando os casais que se completam, a vida que se move, e os beijos que não dou, as juras eternas que não escuto. Fujo algumas vezes, tapo os olhos em outras, mas a roda incessante e desgovernada apenas brinca de bobinho comigo e minha esperança em ser chamada; garotinha tola que quer se divertir um pouco, e não sabe entrar - apenas pedir, pedir e pedir, nunca penetrando de vez. Se deixando iludir por cartas, e signos, mensagens inoportunas, sinais divinos, que na verdade dizem nada e fantasiam qualquer dúvida posta em questão.
Fica difícil assim me focar em mim de imediato, em tudo que sinto, em curar a cada dia toda essa peste que me tomou o alma, e embeveceu a vivacidade que eu carreguei, até aqui: só se vê os defeitos, aquilo que precisa ser melhorado, e expectativas tão longínquas, que não satisfazem, e sim, enlouquecem. Só quando sozinha é que me deixo ficar meio down, e coloco o dedo na ferida. Escuto músicas sofríveis, e leio melancolias. Dói, mas passa. E esse desespero de me verem assim na fossa, mal à beça? Calma, que preciso escancarar essa dor até o final, que ela é só minha, e libertar o peito, a alma, o cuore. Tirar talvez um ódio de onde não consigo, e de quem não tenho, mesmo que passageiro, para que eu sobreponha no local onde ainda há quase tudo o que sinto, e que precisa ser esvaziado, pouco a pouco. Sair desse poço, largar de vez o osso, desses restos que não alimentam, e sim, atrofiam o que de belo existia, e se queria profundamente. Porque ainda é setembro, e toda uma primavera virá, até que se torne verão novamente. Terá passado tanto tempo, que as respostas chegarão sem medo e nem culpa, e voltarei a ser inteira como fui até certo tempo. Sem voltas comemoradas, e inexplicáveis. Sem apagar do caderno, mas riscar por cima o nome; ter astúcia suficiente de virar mais essa página pesarosa Sem mais chances, que depois da segunda, a terceira não tem argumentos para vingar. É topando em pedras, que vislumbramos com mais atenção as flores que nascem, as gotas de orvalho da grama, a raiz de tudo. Desde os sentimentos mais profundos, profanos, ao mundo.
Camila Paier
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
E o que faltar a gente cria.
"Olha embaixo da cama, apenas os pares de sapatos distintos, amáveis. Vasculha gavetas, papéis antigos e quem sabe importantes, armários, e suas roupas desarrumadas, a desordem habitual de tudo. Bichinhos de pelúcia na estante. Lembranças antigas no mural. Uma pulseira, um jornal de três anos atrás, e vinte ou quinze fotos. Televisão ligada; passa todos os canais, não permanece em nenhum. Nada me agrada, nenhuma sensação me mantém ligada, não me encontro onde me procuro. E as pessoas, cara, essas gentes estão cada vez mais superficiais e desinteressantes, ávidas de alguma vibração conjunta, cúmplice. Preciso da minha própria solidão, para reencontrar tudo que aqui dentro anda bagunçado. E tenho tentado em vão, procurar respostas do lado de fora. Que, incrédula, nunca acho. Reflito, perna direta sob a perna esquerda, perna esquerda sob a perna direita. Em posição de índio. E nada me vêm à mente. Branco, vermelho, figuras psicodélicas. E nenhuma resposta. Nada do que sinto é desvelado. E o que penso, e preferia exorcizar, continua de pé; prontamente para me assombrar, puxar meu pé quando adormecida profundamente.
Lembro: me esvaziar. Dica de tantos, conselho de alguns. Largar de mão o antigo, para alçar novos vôos, mil oportunidades à frente. E não consigo. Preciso de ajuda para largar esse cordão celestial que ainda insisto em segurar - e que, de bom, nada me acrescenta. Te solta, menina.Vai! E se cair? Se a queda for pior que a sensação de estar suspensa no ar, sem possibilidade de me movimento e reclamação? O que seria pior do que se jogar no que ainda não conheço? Decidi: me desprendo. E seja talvez o que Deus quiser; ou, o que eu mais precise. Não as tão questionadas respostas, que tanto vasculhei. Mas sim a vida, a vivacidade do meu sorriso, a utilidade das minhas palavras. Retirar tudo isso tem sido cansativo. Me dói o corpo inteiro. E algumas vezes me pego nostálgica, vislumbrando o horizonte, dando um beijo nas estrelas. Ontem chorei duas vezes, e logo passou. E então, lia algo que me deixasse comovida, ou fizesse respirar mais fundo, e pensava em sumir do mapa - sem vestígios, nem passos e pistas. Tem sido complicado, mas eu rezo e ainda acredito. Quando a gente lembra que já passou por tudo isso, e que apenas faz parte de um ciclo, vê a tal luz no fim do túnel, e fica mais fácil atravessar os dias, dois meses. E sabe que algum dia, vai rir com a mão na cabeça dessa situação toda, e se perguntar: "Deus, eu era assim tão frívola, e fútil, uma boba?" Talvez ele responda que eu fosse uma apaixonada, uma sonhadora. Inconsequente. Quem sabe, ele diga que sem todo esse sofrimento, eu não estaria pronta para receber toda essa completude que eu muito pedi, e aqui nunca chegou; extraviada. Sei que as respostas chegam sempre atrasadas, e quando não mais necessárias. Viver com esse silêncio me mata por dentro oportunamente, mas tem sido melhor, e mais sábio. Essa falta de personagens importantes tem atrasado todo um roteiro, mas acredito que seja nas cenas futuras que tudo se perpetua. E tudo que eu procuro são por quês desenganados, carinho imensurável, e uma distração que valha a pena, que faça sentido. Não achei na saia nova, e nem nos sapatos rosas. Nem na noite de ontem, e no dia de hoje. No chimarrão não sorvi, no bolo muito menos. No perfume, apenas uma saudade que me corta feito faca desafiada - dilacerante. Se não chegar nos próximos dias, eu invento. Porque quando há amor, o faltar a gente cria. Com papéis laminados, e tesoura sem ponta. Cola, para firmar e não deixar cair. Um mundo meu, que não machuque e brilhe aos montes. E tenha dias frios, e com sol, e cheiro de bergamota nas mãos. Muita cor, alguma trilha sonora, e desvios de script, que é pra emocionar furtivamente. Daí sim, durmo feliz e em paz. Boa noite, papai do céu."
Lembro: me esvaziar. Dica de tantos, conselho de alguns. Largar de mão o antigo, para alçar novos vôos, mil oportunidades à frente. E não consigo. Preciso de ajuda para largar esse cordão celestial que ainda insisto em segurar - e que, de bom, nada me acrescenta. Te solta, menina.Vai! E se cair? Se a queda for pior que a sensação de estar suspensa no ar, sem possibilidade de me movimento e reclamação? O que seria pior do que se jogar no que ainda não conheço? Decidi: me desprendo. E seja talvez o que Deus quiser; ou, o que eu mais precise. Não as tão questionadas respostas, que tanto vasculhei. Mas sim a vida, a vivacidade do meu sorriso, a utilidade das minhas palavras. Retirar tudo isso tem sido cansativo. Me dói o corpo inteiro. E algumas vezes me pego nostálgica, vislumbrando o horizonte, dando um beijo nas estrelas. Ontem chorei duas vezes, e logo passou. E então, lia algo que me deixasse comovida, ou fizesse respirar mais fundo, e pensava em sumir do mapa - sem vestígios, nem passos e pistas. Tem sido complicado, mas eu rezo e ainda acredito. Quando a gente lembra que já passou por tudo isso, e que apenas faz parte de um ciclo, vê a tal luz no fim do túnel, e fica mais fácil atravessar os dias, dois meses. E sabe que algum dia, vai rir com a mão na cabeça dessa situação toda, e se perguntar: "Deus, eu era assim tão frívola, e fútil, uma boba?" Talvez ele responda que eu fosse uma apaixonada, uma sonhadora. Inconsequente. Quem sabe, ele diga que sem todo esse sofrimento, eu não estaria pronta para receber toda essa completude que eu muito pedi, e aqui nunca chegou; extraviada. Sei que as respostas chegam sempre atrasadas, e quando não mais necessárias. Viver com esse silêncio me mata por dentro oportunamente, mas tem sido melhor, e mais sábio. Essa falta de personagens importantes tem atrasado todo um roteiro, mas acredito que seja nas cenas futuras que tudo se perpetua. E tudo que eu procuro são por quês desenganados, carinho imensurável, e uma distração que valha a pena, que faça sentido. Não achei na saia nova, e nem nos sapatos rosas. Nem na noite de ontem, e no dia de hoje. No chimarrão não sorvi, no bolo muito menos. No perfume, apenas uma saudade que me corta feito faca desafiada - dilacerante. Se não chegar nos próximos dias, eu invento. Porque quando há amor, o faltar a gente cria. Com papéis laminados, e tesoura sem ponta. Cola, para firmar e não deixar cair. Um mundo meu, que não machuque e brilhe aos montes. E tenha dias frios, e com sol, e cheiro de bergamota nas mãos. Muita cor, alguma trilha sonora, e desvios de script, que é pra emocionar furtivamente. Daí sim, durmo feliz e em paz. Boa noite, papai do céu."
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Se fosse amor
"Não era o que queríamos que fosse. E muito menos foi, o que desejávamos que se torna-se. Luxúria, versus sentimento. Corpo contra coração. Nenhum vencedor, de algumas batalhas, e inúmeras afrontas. Por esta razão, onde nos encontramos no mundo e nos perdemos na vida, atesto: não era amor. Não tinha vocação para este volver; nenhuma. Era muita vontade de um lado, contra desmerecimento do outro. Um caso, contra um descaso inteiro. Enganou por certo tempo, mas podendo avaliar melhor, de longe e com olhar crítico, tenho cada vez mais certeza: foi uma ilusão. Um amontoado de desculpas esfarrapadas, colocadas no lugar mais alto do pódio. Uma patologia. Uma eterna confusão. Porque se fosse realmente amor, nada disso seria em vão.
Se fosse amor, não teria planos descabidos, e promessas quebradas. Não caberia casualidade, e sim, uma dose nobre de veracidade. Manhãs despertadas com beijos despudorados, e vontades pré-aquecidas. Almoços de última hora, e lampejos de idéias fantásticas, teses descobertas, e movimento constante. Emoção intensa, e não paralisia corriqueira. Pique-niques no parque, silêncios confortáveis e surpresas no final do dia, seriam inevitáveis. Infelizmente, afeição é muito mais do que apenas ligações oportunas, e noites quentes; medo de descobrir o outro tão à fundo, e esquecer o caminho de volta à si mesmo. Afeto tem muito mais a ver com dois telefones desligados, e um mundo próprio em conjunto, sendo criado dia após dia, sem longas esperas e sumiços efêmeros. Com muita vontade, e compartilhamento de vidas. Alguns mistérios, pra não ficar demasiado corriqueiro. Gentilezas sob o pé da cama, e uma flor atrás da orelha. Admiração mútua, e conversas intermináveis; com algumas pausas, frases pela metade e palavras de conforto e carinho. Seria o tempo bem aproveitado, e batalhas apoiadas um pelo outro. Metas traçadas, e atitudes em prática. Cada qual com seu caminho, porém com apoio incondicional; duplo e dulcificante. Amor é dois, e não um. Nunca três. Duo, e não trio. Nós, e não eles.
Se fosse amor, haveria integridade. Segurança. Cumplicidade. Quando na verdade, tudo não bastava de um sonho; algumas palavras bonitas, e momentos antes únicos. Sorrisos singelos, e que na verdade, escondiam todo um mundo de meias-verdades, de mistérios desenfreados, agora então arejados. Você gostaria tanto do meu mau-humor matinal, quanto do meu porte graúdo, e eu seria fiel admiradora da sua inconstância infindável e seus cabelos rebeldes. Acharíamos um charme, todo e qualquer pequeno defeito - que era assim chamado, porque amor entre nós não havia. E quando sentimento não há, falhas são apenas falhas; defeituosas e abismais. Talvez se as afinidades fossem maiores, o coração talvez acordasse. O meu tão grande, e apressado, correndo contra o tempo. O seu tão clandestino e amoral; diminuto. Desiguais, e ainda assim, desacordados. Desencaixados. Mas no meu detalhismo excêntrico, em ler tudo que me passa pela frente, e escrever como quem vomita o que tem por dentro e na sua leveza de viver, e se viciar em seriados - enquanto eu mesma prefiro filmes - ficava difícil encontrar um denominador comum, frente à tantas, e gritantes diferenças. Simplesmente porque de amor, essa história não tinha nada. Apenas uma saudade que perdurava aqui, e não ecoava aí, do seu lado de ilha solitária, que é a vida cabalística a que nos submetemos.
Não foi amor. Foi uma hombridade esquecida, uma homogeneidade inexistente, uma angústia ambulante. Algumas corridas de táxi, e um brio acelerado. Um ritmo nunca acertado, notas desordenadas e descompostas. Apenas uma alergia à completude e um temor da felicidade. Uma fuga antes do tempo exato. Muitas palavras, quando o melhor era sair com a cabeça erguida (mesmo quente), e a boca cerrada. Erros, não só de execução, como de partida. Anomalias amáveis, e um crime irresistível de não cometer. Vontade de acertar, e pouca força para alcançar o topo, o feito. Desatino. Se fosse amor, obrigatoriamente, singular seria. Porque não é, e esperei que fosse. Que houvesse no mínimo coragem, ou alguma força maior por trás dessa adrenalina toda, para transformar. Paixão, quem sabe. Paz, não vi. Sair do que não existiu, deixa sempre a pulga atrás da orelha, de como seria se tivesse então deslanchado. O que vale é se lembrar sempre, e cada vez mais que, se não aconteceu, teve motivos suficientes para ficar adormecido. Que assim seja, e as lembranças boas não se percam por entre dias frívolos e cinzentos; perpetuem apenas na memória, e acrescentem como aprendizado."
Camila Paier
Se fosse amor, não teria planos descabidos, e promessas quebradas. Não caberia casualidade, e sim, uma dose nobre de veracidade. Manhãs despertadas com beijos despudorados, e vontades pré-aquecidas. Almoços de última hora, e lampejos de idéias fantásticas, teses descobertas, e movimento constante. Emoção intensa, e não paralisia corriqueira. Pique-niques no parque, silêncios confortáveis e surpresas no final do dia, seriam inevitáveis. Infelizmente, afeição é muito mais do que apenas ligações oportunas, e noites quentes; medo de descobrir o outro tão à fundo, e esquecer o caminho de volta à si mesmo. Afeto tem muito mais a ver com dois telefones desligados, e um mundo próprio em conjunto, sendo criado dia após dia, sem longas esperas e sumiços efêmeros. Com muita vontade, e compartilhamento de vidas. Alguns mistérios, pra não ficar demasiado corriqueiro. Gentilezas sob o pé da cama, e uma flor atrás da orelha. Admiração mútua, e conversas intermináveis; com algumas pausas, frases pela metade e palavras de conforto e carinho. Seria o tempo bem aproveitado, e batalhas apoiadas um pelo outro. Metas traçadas, e atitudes em prática. Cada qual com seu caminho, porém com apoio incondicional; duplo e dulcificante. Amor é dois, e não um. Nunca três. Duo, e não trio. Nós, e não eles.
Se fosse amor, haveria integridade. Segurança. Cumplicidade. Quando na verdade, tudo não bastava de um sonho; algumas palavras bonitas, e momentos antes únicos. Sorrisos singelos, e que na verdade, escondiam todo um mundo de meias-verdades, de mistérios desenfreados, agora então arejados. Você gostaria tanto do meu mau-humor matinal, quanto do meu porte graúdo, e eu seria fiel admiradora da sua inconstância infindável e seus cabelos rebeldes. Acharíamos um charme, todo e qualquer pequeno defeito - que era assim chamado, porque amor entre nós não havia. E quando sentimento não há, falhas são apenas falhas; defeituosas e abismais. Talvez se as afinidades fossem maiores, o coração talvez acordasse. O meu tão grande, e apressado, correndo contra o tempo. O seu tão clandestino e amoral; diminuto. Desiguais, e ainda assim, desacordados. Desencaixados. Mas no meu detalhismo excêntrico, em ler tudo que me passa pela frente, e escrever como quem vomita o que tem por dentro e na sua leveza de viver, e se viciar em seriados - enquanto eu mesma prefiro filmes - ficava difícil encontrar um denominador comum, frente à tantas, e gritantes diferenças. Simplesmente porque de amor, essa história não tinha nada. Apenas uma saudade que perdurava aqui, e não ecoava aí, do seu lado de ilha solitária, que é a vida cabalística a que nos submetemos.
Não foi amor. Foi uma hombridade esquecida, uma homogeneidade inexistente, uma angústia ambulante. Algumas corridas de táxi, e um brio acelerado. Um ritmo nunca acertado, notas desordenadas e descompostas. Apenas uma alergia à completude e um temor da felicidade. Uma fuga antes do tempo exato. Muitas palavras, quando o melhor era sair com a cabeça erguida (mesmo quente), e a boca cerrada. Erros, não só de execução, como de partida. Anomalias amáveis, e um crime irresistível de não cometer. Vontade de acertar, e pouca força para alcançar o topo, o feito. Desatino. Se fosse amor, obrigatoriamente, singular seria. Porque não é, e esperei que fosse. Que houvesse no mínimo coragem, ou alguma força maior por trás dessa adrenalina toda, para transformar. Paixão, quem sabe. Paz, não vi. Sair do que não existiu, deixa sempre a pulga atrás da orelha, de como seria se tivesse então deslanchado. O que vale é se lembrar sempre, e cada vez mais que, se não aconteceu, teve motivos suficientes para ficar adormecido. Que assim seja, e as lembranças boas não se percam por entre dias frívolos e cinzentos; perpetuem apenas na memória, e acrescentem como aprendizado."
Camila Paier
sábado, 14 de agosto de 2010
Fala coração ...
"Oi, como vai você? Eu vou mal e, nossa, muito mal. Aí você logo de cara já fica se perguntando quem sou eu que já cheguei dizendo como estou. Sou teu coração, obrigado por dar atenção desta vez quando eu falo, né, porque até ontem você nem se quer me ouvia. Eu podia me encolher de frio ou batucar no teu peito como escola de samba na avenida que você não estava nem aí.Por que faz isso com você mesmo? Finge estar tudo bem para todos a tua volta, como se aqui dentro não estivesse tudo de cabeça para baixo. Por que você fica sorrindo para todo mundo se aqui dentro chove horrores com as tuas lágrimas? Sabia que sinto aqui dentro tudo isso? Teus problemas, tuas dificuldades, fraquezas e mágoas.
Aqui, bem a cima de mim, tinha uma lâmpada, agora ela está partida em pequeninos cacos de vidros, e estes estão espalhados por toda parte a perfurar cada centímetro de mim. Esta lâmpada esteve uma vez acesa. Lembra quando foi? Naquela época em que eu dava saltos aqui dentro porque você me alimentava com palavras de alegria, paz, tranquilidade, conforto. Era tão grande a luz, que iluminava tudo aqui dentro. A luz da lâmpada que tem aqui dentro é movida a felicidade e, por um bom tempo, ela permaneceu acesa. Eu nem se quer descansava, era festa dia e noite!
Mas como eu sou sempre sincero, preciso dizer: não sei o que é que está fazendo com a tua vida agora. Porque derrepente começaram a surgir medos enormes daqueles problemas tão pequenos, mágoas e mais mágoas. A luz foi ficando cada vez mais fraca até que se apagou e logo após, explodiu. Até então, as coisas por aqui ficaram frias, cada vez mais escuro. Antes eram gritos de alegria por todos os lados, agora eu ouço minha voz ecoando a pedir por socorro. E você? Você fingia que não escutava. Graças a Deus hoje você decidiu parar para me ouvir."
Aqui, bem a cima de mim, tinha uma lâmpada, agora ela está partida em pequeninos cacos de vidros, e estes estão espalhados por toda parte a perfurar cada centímetro de mim. Esta lâmpada esteve uma vez acesa. Lembra quando foi? Naquela época em que eu dava saltos aqui dentro porque você me alimentava com palavras de alegria, paz, tranquilidade, conforto. Era tão grande a luz, que iluminava tudo aqui dentro. A luz da lâmpada que tem aqui dentro é movida a felicidade e, por um bom tempo, ela permaneceu acesa. Eu nem se quer descansava, era festa dia e noite!
Mas como eu sou sempre sincero, preciso dizer: não sei o que é que está fazendo com a tua vida agora. Porque derrepente começaram a surgir medos enormes daqueles problemas tão pequenos, mágoas e mais mágoas. A luz foi ficando cada vez mais fraca até que se apagou e logo após, explodiu. Até então, as coisas por aqui ficaram frias, cada vez mais escuro. Antes eram gritos de alegria por todos os lados, agora eu ouço minha voz ecoando a pedir por socorro. E você? Você fingia que não escutava. Graças a Deus hoje você decidiu parar para me ouvir."
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Libertar a minha alma maltratada para o novo.
“Depois de uns dias mudos e inertes, onde eu movimentava e aludia meus feelings de egoísmo ou culpa, posso hoje libertar a minha alma maltratada para o novo. Por mais cansativa ou sentimental, e pior, boazinha que toda essa minha oratória lamuriante tenha se desdobrado, abro sorrisos de sensação boa. Dever cumprido. Eu só não queria essas explicações pela metade, uns ódios querendo desesperadamente ser amor. Negativo. Pela metade, é algo que não implementei no meu dicionário existencial - e nem pretendo. Assim como você, infantilmente, pensa que sabe todas as respostas do mundo, as minhas não. Não imaginava, porém, que essa minha instabilidade te afetasse de tal maneira, emburrada e inflexível. Pareci suplicante, mas ao menos demonstrei minha essência humanitária.”
(Camila Paier)
(Camila Paier)
Não nomeio o que sinto.
“Não nomeio o que sinto. Nem ao menos, o que vivo. Apenas, estou feliz, estou indo. Na minha independência maior de idade, no meu detalhismo insistente, continuo a mesma. E afinal, nem foi tão ruim assim. A gente fica triste, mas no outro dia, tem de ser lembrado do que aconteceu. Aquela coisa, sofrer tudo na hora, fazer todas as perguntas, e então, vá passear. Eu continuo apaixonada por sapatos, e pensando que o Brasil podia ser repovoado por gente decente. Ainda sou louca pela minha mãe, e por cintura alta. A mesma, de sempre. Talvez por isso os navios não tenham sido queimados, as rotas ainda estejam latentes, e o sinal verde, aberto. Velhos conhecidos, mundos já descobertos, desnudos. E não é bem o que a gente quer, mas a gente aceita. Não tapa totalmente o buraco, mas conforta por algum tempo, dá uma massageada no ego. Por mais que necessite tempo, pra me achar, pra tudo clarear, são as possibilidades, os acasos que tem seduzido e se insinuado, dançado loucamente sob a minha sacada e na minha alma.”
Camila Paier
Camila Paier
domingo, 1 de agosto de 2010
Pirata não, capitã
"No fundo, Minduim, eu sabia que a gente voltaria a sorrir com os olhos, de frente um pro outro, sem dizer nada, acredita? Pois é, eu tentei mentir pra mim, enganar os outros, e esconder a minha sapiência nesse caso todo. Fugi desse seu magnetismo, opostos que somos. Mas acho que por dentro de toda essa cara fechada, essa marra de independente, auto-suficiente, eu acreditei tanto que o sentimento venceria, que ele se coroou sozinho. E você me diz ter certeza de que tudo seria assim. De que a gente se gosta, e que passaria. Não sei bem se passou, mas depois de algum tempo, acho que deve passar. A gente sabe disso, e tem uma fé enorme. Nesse tempo longe, talvez não tenha nos feito mal nenhum. Você sentiu falta também, Minduim? É, eu sei. Também senti. Quis as mãos que tanto aprecio, sob as minhas. Os seus olhos congelando a minha presença, e a fazendo quase insignificante. E por mais que a gente esteja sentados nesse sofá sujo, ou de frente pra televisão, jantando e decidindo detalhes do nosso futuro casamento, que nunca ocorrerá, eu sinto o cheiro da mudança. Não sei se a sua, mas acho que a minha. Quem sabe, a situação toda. Virou irônica, complexada, enigmática e muito mais desafiadora. Excitante. Confesso que saí de baixo de chuva, às pressas e ansiosa, pra tirar a prova. Dar o veredicto final, do que tanto se debatia em confusão, dentro de mim. E comemore, Minduim: você passou no teste! Preferia que você me esperasse pra festa começar, se assim possível. Eu continuo sendo meio impulsiva e urgente; apaixonada. Espero que você lembre, porque tá marcado na essência, e são notas assim imutáveis. Se bem que, no mínimo, você deve achar toda essa minha malemolência emocional um tanto quanto charmosa; pra voltar, pra ser como sempre foi, mesmo depois de meses afastados. Senti uma falta desse teu perfume, da tua barba mal feita - que você sabe, me deixa louca.
Imagine você, Minduim, sou ainda a irrequieta que te deixa um mimo na portaria. Eu, que nem em delírio completo imaginei coragem alguma pra fazer isso. Me lembrou você, comprei e deu. Não pude te ver, mas senti teu sorriso ao agradecer efusivo, e feliz. E mesmo que essa saudade esteja me matando agora, e desde já, e tantos dias ainda venham pela frente, eu estou forte, te disse? Tenho consciência agora do que ocorre, e acho que não surto mais, como daquela primeira e última vez. Fico incrivelmente serena e um pouco boba, que todos estranham. E penso que tudo vai tarde certo, Minduim, e que por mais dias que você permaneça muito longe, quando você voltar, tudo volta à ordem natural das coisas, e eu vejo teu sorriso alguma vez mais. Não tenho nenhuma certeza, mas apenas uma fé gigante, como me é de costume, e um coração meia-boca, de tanto pifar. Espero que dê, como crédito. A única coisa que sei, é que queria você aqui comigo agora, pra ver essa paisagem absurda, de tão bonita, e me aquecesse, porque faz frio e você sabe como me esquentar, excelentíssimo. Porque eu acabo gostando até desses seus sumiços, e aprendi a ser um pouco assim também, contigo. Provo dessa sua jogatina bizarra e complexa, e entendo melhor o mundo inteiro - menos o que se passa em mim, em ti, na sua cabeça, no meu sentimento. Acho graça também na sua letra desfocal, nas pequenas semelhanças que reconhecemos, um no outro. Minduim, não te largo. Que bobagem...Já te disse que, quando você voltar, se não me raptar como proposto, eu te roubo, pra sempre. Pirata que sou, sei achar o tesouro. E você sabe disso, meu querido. Me deixe pilotar mais esse barco em que estamos os dois, e não compreendemos coisa alguma (por mais que, eu tenha mais vocação pra ser o papagaio que no ombro fica, do que para ler mapas e traçar destinos). Corsário, e sem perna de pau, posso piratear na vida, na fala, nos sonhos, mas com você não. Confie em mim, marujo, que tenho mais vocação pra sereia do que pra capitã - e sem gancho na mão, por favor. Seria um pouco brega, não acha Minduim?
Enfim, me ocorre que entre tantos caminhos, meu barco talvez tenha aqui parado, porque há tanto ainda a ser descoberto, que seria quase pecado esquecer tudo agora, no meio. Entre rotas passadas, e caminhos futuros, fico suspensa entre dois momentos, amortecida entre o que não foi, e quiçá virá. Escrevo até mesmo no chão as coordenada pra que eu encontre o que te faz ficar, de vez - lançar minha âncora. Volte logo, Minduim! Pra que nada se perca, e esse ciclo se complete. Porque quem volta, retorna sempre por algum motivo. Eu sou o seu, pode ser?
Ass: pirata não, capitã."
Camila Paier
Imagine você, Minduim, sou ainda a irrequieta que te deixa um mimo na portaria. Eu, que nem em delírio completo imaginei coragem alguma pra fazer isso. Me lembrou você, comprei e deu. Não pude te ver, mas senti teu sorriso ao agradecer efusivo, e feliz. E mesmo que essa saudade esteja me matando agora, e desde já, e tantos dias ainda venham pela frente, eu estou forte, te disse? Tenho consciência agora do que ocorre, e acho que não surto mais, como daquela primeira e última vez. Fico incrivelmente serena e um pouco boba, que todos estranham. E penso que tudo vai tarde certo, Minduim, e que por mais dias que você permaneça muito longe, quando você voltar, tudo volta à ordem natural das coisas, e eu vejo teu sorriso alguma vez mais. Não tenho nenhuma certeza, mas apenas uma fé gigante, como me é de costume, e um coração meia-boca, de tanto pifar. Espero que dê, como crédito. A única coisa que sei, é que queria você aqui comigo agora, pra ver essa paisagem absurda, de tão bonita, e me aquecesse, porque faz frio e você sabe como me esquentar, excelentíssimo. Porque eu acabo gostando até desses seus sumiços, e aprendi a ser um pouco assim também, contigo. Provo dessa sua jogatina bizarra e complexa, e entendo melhor o mundo inteiro - menos o que se passa em mim, em ti, na sua cabeça, no meu sentimento. Acho graça também na sua letra desfocal, nas pequenas semelhanças que reconhecemos, um no outro. Minduim, não te largo. Que bobagem...Já te disse que, quando você voltar, se não me raptar como proposto, eu te roubo, pra sempre. Pirata que sou, sei achar o tesouro. E você sabe disso, meu querido. Me deixe pilotar mais esse barco em que estamos os dois, e não compreendemos coisa alguma (por mais que, eu tenha mais vocação pra ser o papagaio que no ombro fica, do que para ler mapas e traçar destinos). Corsário, e sem perna de pau, posso piratear na vida, na fala, nos sonhos, mas com você não. Confie em mim, marujo, que tenho mais vocação pra sereia do que pra capitã - e sem gancho na mão, por favor. Seria um pouco brega, não acha Minduim?
Enfim, me ocorre que entre tantos caminhos, meu barco talvez tenha aqui parado, porque há tanto ainda a ser descoberto, que seria quase pecado esquecer tudo agora, no meio. Entre rotas passadas, e caminhos futuros, fico suspensa entre dois momentos, amortecida entre o que não foi, e quiçá virá. Escrevo até mesmo no chão as coordenada pra que eu encontre o que te faz ficar, de vez - lançar minha âncora. Volte logo, Minduim! Pra que nada se perca, e esse ciclo se complete. Porque quem volta, retorna sempre por algum motivo. Eu sou o seu, pode ser?
Ass: pirata não, capitã."
Camila Paier
segunda-feira, 26 de julho de 2010
A carne É fraca
Então, você chora algumas vezes, escondida pra que ninguém veja, a ache ainda mais uma coitada. Faz suas amigas o detestarem mais do que bife de fígado. Sua mãe, não pode nem ouvir o nome do "idiota". Seu irmão, o acha um babaca detestável. E enfim, você fica sozinha algumas semanas. Não quer sair de casa, e deseja curtir uma solidão bege e sem voz; chorosa. A sua tristeza com intensidade, pra que ela vá embora logo, e tudo volte a ter cor - e não mais lágrimas, voz. Equilibrada, e achando que está pronta, se enche de novas roupas, alguns pares de sapatos, e um corte de cabelo novo. Auto-estima mil. Curte, e dança. Sai quantos dias da semana pode, conhece gente, sorri enlouquecidamente, e provoca com o olhar. E beija um. Mais um. Dois. Outro. Continua beijando este outro. Fica feliz, mas nada que a dê vontade de fazer a dancinha e pensar bobagens, ensaiar discursos. Até que, no meio de um filme que você quis muito ver, você se toca: tá tudo errado. Tudo péssimo. O que faço eu, aqui? De roupa bonita, e delineador nos olhos? Calada. Se torna intangível, e lembra do momento que vendo o banner do filme, comentou com ele, o quanto queria ver. E como queria que, ele visse com você (não esse cara, com rosto de bebê, e gestos cordiais e enjoados). E na volta, no carro, o nome dele no rádio. Seu perfume em outro moletom. E a ficha cai: sinto falta. Sinto imensamente uma saudade que me dói, e que não passou. Angústia, vida confusa. E coincidência ou não, toca seu telefone. Como numa coreografia ritmada maluca do destino, ele também quer saber como está a sua pessoa deslumbrante. Tantas novidades, euforia numa conversa onde largando o telefone celular, suas mãos suam. E volta a paz, o sorriso no rosto - sem explicação ou propósito algum. Volta-se a correr no calçadão. Você volta a gostar de algumas músicas que antes, doíam só de escutar. E sentada na sacada, após meditar por longos quinze minutos, reflete: a carne É fraca. Frente à essa fragilidade, temos ainda que demonstrar força. Buscar ser fortes de qualquer maneira. Até que, chega uma hora em que, se essa fortaleza não é real, tudo desaba: você, no choro, na falsidade ideológica em que andava vivendo. Cai de boca nessa felicidade que é saborosa, mas pode acabar a qualquer minuto.
Prometi que nunca mais, e aqui estou eu: talvez feliz, um pouco confusa, mas com uma adrenalina e um sentimento inexplicável dentro de mim. Por mais que não valha nada. Por mais que tudo seja passageiro. Que passe, mas que marque; pra sempre. Apenas ele tem o sorriso que consegue desfazer qualquer escudo sólido que construí, meses à fio. É ele quem me tira o sossego, e devolve quando necessário. Que não é clichê, e filosofa sobre como mulheres ficam feias com o cabelo curto, e o quanto tudo o que lemos, se formos pensar, se encaixa na nossa vida, no nosso momento. Mesmo sem saber, é o tal quem me faz rir sozinha vendo algo, e pensando em lhe contar mais tarde. Ou que, quase me faz jogar no lixo a cartilha em que descrevi meus princípios, com a sua eloqüente capacidade de convencimento. Lobo em pele de cordeiro, sedento também pela mesa aqui posta. Conversa comigo sob travesseiros, e uma janela onde chove, e podemos escutar gritos da torcida do meu time. E que mesmo nessa confusão toda, esse caminho sem placas, e sinalizações, sigo; pode ser cega, ou emotiva, mas vou indo. Me perdendo, consumindo. Deixando queimar. Nem minha mãe, ao me ver chegar em casa, me viu tão feliz e desmaquiada. É a saudade morta, explico. Ficou aqui em mim, e destruiu base, pó, e rímel. A carne é fraca, ou a fraqueza está dentro de mim, e dessa minha cabeça confusa, em uníssono ao meu coração enorme? Eu só quero felicidade, e cumplicidade. Tentei em outros seres, e desculpa, não consegui. Você sabe que é capaz de me fazer largar o mundo, a minha tão almejada estabilidade, pra entrar nas curvas sinuosas e inesperadas, que é a sua vida. Novamente. E se preciso, de novo, e de novo. Fingindo ser a primeira vez; jurando não ser a última. Se diz você, que te enlouqueço, esqueci eu de confimar e dizer que, você também tem o poder de me deixar doida. E tenho apenas a te agradecer por isso. Se a carne é fraca, não há mesmo muito o que fazer. É química, explosão, necessidade. Então, como não participar feliz do banquete, desse churrasco apetitoso? Me delicio, e penso: que seja louco, mas que dure. Vocação pra vegetariana: zero. Deus me deixou cair em tentação. E tem me livrado do mal. Amém!
Camila Paier
Prometi que nunca mais, e aqui estou eu: talvez feliz, um pouco confusa, mas com uma adrenalina e um sentimento inexplicável dentro de mim. Por mais que não valha nada. Por mais que tudo seja passageiro. Que passe, mas que marque; pra sempre. Apenas ele tem o sorriso que consegue desfazer qualquer escudo sólido que construí, meses à fio. É ele quem me tira o sossego, e devolve quando necessário. Que não é clichê, e filosofa sobre como mulheres ficam feias com o cabelo curto, e o quanto tudo o que lemos, se formos pensar, se encaixa na nossa vida, no nosso momento. Mesmo sem saber, é o tal quem me faz rir sozinha vendo algo, e pensando em lhe contar mais tarde. Ou que, quase me faz jogar no lixo a cartilha em que descrevi meus princípios, com a sua eloqüente capacidade de convencimento. Lobo em pele de cordeiro, sedento também pela mesa aqui posta. Conversa comigo sob travesseiros, e uma janela onde chove, e podemos escutar gritos da torcida do meu time. E que mesmo nessa confusão toda, esse caminho sem placas, e sinalizações, sigo; pode ser cega, ou emotiva, mas vou indo. Me perdendo, consumindo. Deixando queimar. Nem minha mãe, ao me ver chegar em casa, me viu tão feliz e desmaquiada. É a saudade morta, explico. Ficou aqui em mim, e destruiu base, pó, e rímel. A carne é fraca, ou a fraqueza está dentro de mim, e dessa minha cabeça confusa, em uníssono ao meu coração enorme? Eu só quero felicidade, e cumplicidade. Tentei em outros seres, e desculpa, não consegui. Você sabe que é capaz de me fazer largar o mundo, a minha tão almejada estabilidade, pra entrar nas curvas sinuosas e inesperadas, que é a sua vida. Novamente. E se preciso, de novo, e de novo. Fingindo ser a primeira vez; jurando não ser a última. Se diz você, que te enlouqueço, esqueci eu de confimar e dizer que, você também tem o poder de me deixar doida. E tenho apenas a te agradecer por isso. Se a carne é fraca, não há mesmo muito o que fazer. É química, explosão, necessidade. Então, como não participar feliz do banquete, desse churrasco apetitoso? Me delicio, e penso: que seja louco, mas que dure. Vocação pra vegetariana: zero. Deus me deixou cair em tentação. E tem me livrado do mal. Amém!
Camila Paier
sábado, 24 de julho de 2010
Poliedro complexo
“(...)Me senti sozinha numa multidão feliz e completa, pela milésima vez. Nunca ninguém me escolheu. Desdenharam quase sempre meus olhos assim pequenos e um pouco puxados, não chineses ou japas, em troca de uns olhos grande, ou cilíos curvados e protuberantes. Minhas medidas voluptuosas sempre foram cheias de segundas intenções, nunca encaradas com seriedade. Não quiseram nem o meu jeito romântico -errante, exagerado e inconseqüente. Simplesmente, todos fingem ignorar o meu orgulho na excentricidade, e titubeiam em me escolher. Fiquei o dia inteiro com a dúvida indulgente e pesada na minha consciência, de se eu era tão estranha, tão inadaptável assim, ao chegar ao ponto alto da solidão. Acho a maioria das pessoas que já se aproximaram do meu complicado e conflituoso círculo emocional, tão diferentes de mim. Teve gente sem personalidade. Um pessoal muito frio e racional. E uma galera tão mais estável, ou instável, séria demais ou infantil que eu. Talvez por isso que o bando heterogêneo que eu ainda habitava aqui dentro, indivíduos tão complexos, todos com suas feridas, e traumas, e completamente distintos uns dos outros, tenham todos se esvaído e abandonado o barco. Assim, ao longo do percurso. Mergulhar assim, do rio profundo que eu fazia da minha vida, e do barco alto que protegia meus escolhidos, e queridos. Não, não gosto de deixar as pessoas. É caro para a alma, tira a paz de espírito, e mais: demoro a selecionar meus preferidos, porém, quando acolhidos, são meus.
(...)Penso que as diferenças, somam. Que estar próximo a alguém tão parecido, e tão igual, tendo as mesmas dúvidas e complexidades, uns questionamentos parecidos, gostar das mesmas bandas, cores, e programas, não engrandece em nada, e não faz progredir. Ver outros lados desse poliedro complexo, chamado dia-a-dia, vitta, de uma maneira inovadora. Ou apenas, não me conformo de não ser nunca anunciada, ou reconhecida, nesse planeta gigante e azul, denso. Conhecer tanta gente, e nenhum encanto. Uma luz no caminho. Não no fim, porque falta muito para a velhice. Uns raios temporários, que me venham ainda, ou por vezes, esporadicamente, mas que ocorram. Pessoas complexas, mas diferentes de mim. Eu gosto, e aprendo. Gosto de ver pessoas tão calculistas, ou exaltivas, cansativas. Ver seus comportamentos, analisar cada minúcia, trajeitos e suas escolhas. Ou rir, demais, de tudo. Se divertir. Nessa diversidade extensa que agora é o mundo, nada melhor do que fazer parte da mistura miscigenada de cores, sons, vozes e aparências que hoje existem! E aprender: com tanta diferença, com muito amor. Escolho e ainda continuo escolhendo o que me brilha, o que me colore e ilumina. Aquilo que acende alguma luz interna, diferente da minha, que às vezes brilha de tão cega, forte. Ou apaga, sem razão alguma. Porque razão, comigo não funciona. Coração toma a frente dianteira, e age antes, age sempre. ”
(...)Penso que as diferenças, somam. Que estar próximo a alguém tão parecido, e tão igual, tendo as mesmas dúvidas e complexidades, uns questionamentos parecidos, gostar das mesmas bandas, cores, e programas, não engrandece em nada, e não faz progredir. Ver outros lados desse poliedro complexo, chamado dia-a-dia, vitta, de uma maneira inovadora. Ou apenas, não me conformo de não ser nunca anunciada, ou reconhecida, nesse planeta gigante e azul, denso. Conhecer tanta gente, e nenhum encanto. Uma luz no caminho. Não no fim, porque falta muito para a velhice. Uns raios temporários, que me venham ainda, ou por vezes, esporadicamente, mas que ocorram. Pessoas complexas, mas diferentes de mim. Eu gosto, e aprendo. Gosto de ver pessoas tão calculistas, ou exaltivas, cansativas. Ver seus comportamentos, analisar cada minúcia, trajeitos e suas escolhas. Ou rir, demais, de tudo. Se divertir. Nessa diversidade extensa que agora é o mundo, nada melhor do que fazer parte da mistura miscigenada de cores, sons, vozes e aparências que hoje existem! E aprender: com tanta diferença, com muito amor. Escolho e ainda continuo escolhendo o que me brilha, o que me colore e ilumina. Aquilo que acende alguma luz interna, diferente da minha, que às vezes brilha de tão cega, forte. Ou apaga, sem razão alguma. Porque razão, comigo não funciona. Coração toma a frente dianteira, e age antes, age sempre. ”
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Que ainda não passou.
"Está aqui. Dentro, fundo e meio escondido, mas firme. Forte não, que por um fio se equilibra tudo isso há muito tempo. Mas fio esse, que talvez seja de cobre, ouro, metais nobres. Um fio que segura, e por onde a equilibrista dentro de mim se aventura. Mesmo você não sendo bêbado, e estando longe disso, é claro.
Descobri apenas à pouco, enquanto me esforçava em fazer careta ao ouvir teu nome, gritar pro mundo que você não existe mais na minha felicidade, concordar na sua idiotice calhorda e dançar loucamente à noite. Beijar aparentes príncipes, que não tinham nem de longe a tua malandragem, e eloqüência de sapo magnífico. Ajudei no que pude, compreendi emoções, tentei calar a minha boca grande, viver intensamente. Fiz tudo o que me coube, para me livrar do sentimento nostálgico que é curar de vez esse vazio dolorido que me afinca o peito. Sanei tantas dúvidas, curei algumas questões incompreendidas, para esquecer aquilo que me inquietava por dentro. Cuidei dos outros, e me joguei num canto. E no final das costas, eu quem deveria encabeçar a minha lista em primeiro lugar, tirar todo e qualquer resquício seu, daqui. De mim.
Uma semana, e dois primeiros encontros. Saldo final? Nada que tenha me feito vibrar. Ou, pensar em substituir lembranças das nossas conversas sem fim, de algumas piadas internas, e o encaixe perfeito dos teus braços, sob a minha cintura. Não é tentando substituir que se esquece: só se lembra ainda mais. Em cada erro do outro, cada gafe, só se recorda mais e mais do quanto não era assim antes, com outro alguém. E isso dói. Comparar pessoas é mais ou menos como qualquer necessidade fisiológica: não é bonito, mas é inevitável. Não se pode fugir. Ainda não sei onde procurar alguém com o mesmo sorriso leve, e a maneira única de me olhar de frente, encarar com vontade. Eu tento, eu quase consegui, mas ao me colocar novamente em companhia-masculina-possível, titubeio. Vejo o banner do nosso filme, já na locadora, e quero morrer. Ouço a música que cantávamos juntos, animados e em descontração, e exito. Quase choro. E me faço brusca, fugitiva, e desinteressada: não dá. Se paro para refletir, me torno quieta - o que é raríssimo. Mesmo não sabendo o que fazer com tudo aqui dentro, que depois de tanto tempo, e muitos dias ainda me incomoda, tira meu sono, e rasga minha paz, sou quase uma prisioneira: me tranquei nesse beco sem saída, nessa cela obscura, e é como se tivesse engolido a chave, sem volta. Precipitei situações, e te fiz ir longe; te vi ir indo, e perdi. Talvez pra sempre, quem sabe nunca mais. E todos me dizem que não valia a pena, que não vale e muito menos, valeria. Me pergunto íntima e por dentro, quando é que isso vai passar, que me aparecerá alguém à altura, que eu me pegarei apaixonada e feliz, como já fui? Rezo, e culpo alguns santos. Peço encarecidamente que Deus veja toda essa injustiça, e cubra o mundo com o que acredito. Com amor decente, e pra quem dá amor - o certo, o que nos ensinam na catequese e o que nos é educado em casa, não é exatamente isso? Dê amor, e receberás de volta. Só ainda não encontrei motivos para acreditar piamente em tal afirmação. Nenhum, muito menos dois.
Não quero companhia, essa dor é apenas minha, e não há o que cure (a não ser, você mesmo). Sendo que está longe, e impossível. Sem preço a pagar, e muito o que fazer, me fecho novamente na minha colcha lilás, e sob a luz apagada. Dispenso caridade, tenho nojo. Nunca fui coitada, e mesmo na minha maneira Pollyanna em ver o mundo, aprontei das minhas. E por mais que provoque desejos alheios, que me sinta a rainha da noite, e que aproveite o máximo que posso, quando quieta e pensativa, sou apenas despedaçada. Me falta algo, e talvez seja minha felicidade real, meu sorriso sincero, ou quem sabe, o que por um bom tempo causou toda essa minha onda feliz e pacífica: você.
Tomada por uma saudade enorme, e um sonho ruim, disco os números que alguma vez já decorei, esqueci e apaguei. Ouço sua voz inesquecível, coração que palpita, ansiedade que toma conta. Sem muito o que fazer, e tanta coisa a dizer, desligo. Saciada, medrosa e levada; vivendo, e fazendo acontecer. E mesmo assim, sentindo enormemente a falta nobre que é estar sem a sua presença ilustre. Porque não há faculdade federal, carro importado ou paixão por mim que compre ou derrube o território que conquistaste em mim. Ainda aqui, quem manda no pedaço, e comanda ruas, movimentações e greves, é o senhor. Pode ter certeza, excelentíssimo."
(Camila Paier)
Descobri apenas à pouco, enquanto me esforçava em fazer careta ao ouvir teu nome, gritar pro mundo que você não existe mais na minha felicidade, concordar na sua idiotice calhorda e dançar loucamente à noite. Beijar aparentes príncipes, que não tinham nem de longe a tua malandragem, e eloqüência de sapo magnífico. Ajudei no que pude, compreendi emoções, tentei calar a minha boca grande, viver intensamente. Fiz tudo o que me coube, para me livrar do sentimento nostálgico que é curar de vez esse vazio dolorido que me afinca o peito. Sanei tantas dúvidas, curei algumas questões incompreendidas, para esquecer aquilo que me inquietava por dentro. Cuidei dos outros, e me joguei num canto. E no final das costas, eu quem deveria encabeçar a minha lista em primeiro lugar, tirar todo e qualquer resquício seu, daqui. De mim.
Uma semana, e dois primeiros encontros. Saldo final? Nada que tenha me feito vibrar. Ou, pensar em substituir lembranças das nossas conversas sem fim, de algumas piadas internas, e o encaixe perfeito dos teus braços, sob a minha cintura. Não é tentando substituir que se esquece: só se lembra ainda mais. Em cada erro do outro, cada gafe, só se recorda mais e mais do quanto não era assim antes, com outro alguém. E isso dói. Comparar pessoas é mais ou menos como qualquer necessidade fisiológica: não é bonito, mas é inevitável. Não se pode fugir. Ainda não sei onde procurar alguém com o mesmo sorriso leve, e a maneira única de me olhar de frente, encarar com vontade. Eu tento, eu quase consegui, mas ao me colocar novamente em companhia-masculina-possível, titubeio. Vejo o banner do nosso filme, já na locadora, e quero morrer. Ouço a música que cantávamos juntos, animados e em descontração, e exito. Quase choro. E me faço brusca, fugitiva, e desinteressada: não dá. Se paro para refletir, me torno quieta - o que é raríssimo. Mesmo não sabendo o que fazer com tudo aqui dentro, que depois de tanto tempo, e muitos dias ainda me incomoda, tira meu sono, e rasga minha paz, sou quase uma prisioneira: me tranquei nesse beco sem saída, nessa cela obscura, e é como se tivesse engolido a chave, sem volta. Precipitei situações, e te fiz ir longe; te vi ir indo, e perdi. Talvez pra sempre, quem sabe nunca mais. E todos me dizem que não valia a pena, que não vale e muito menos, valeria. Me pergunto íntima e por dentro, quando é que isso vai passar, que me aparecerá alguém à altura, que eu me pegarei apaixonada e feliz, como já fui? Rezo, e culpo alguns santos. Peço encarecidamente que Deus veja toda essa injustiça, e cubra o mundo com o que acredito. Com amor decente, e pra quem dá amor - o certo, o que nos ensinam na catequese e o que nos é educado em casa, não é exatamente isso? Dê amor, e receberás de volta. Só ainda não encontrei motivos para acreditar piamente em tal afirmação. Nenhum, muito menos dois.
Não quero companhia, essa dor é apenas minha, e não há o que cure (a não ser, você mesmo). Sendo que está longe, e impossível. Sem preço a pagar, e muito o que fazer, me fecho novamente na minha colcha lilás, e sob a luz apagada. Dispenso caridade, tenho nojo. Nunca fui coitada, e mesmo na minha maneira Pollyanna em ver o mundo, aprontei das minhas. E por mais que provoque desejos alheios, que me sinta a rainha da noite, e que aproveite o máximo que posso, quando quieta e pensativa, sou apenas despedaçada. Me falta algo, e talvez seja minha felicidade real, meu sorriso sincero, ou quem sabe, o que por um bom tempo causou toda essa minha onda feliz e pacífica: você.
Tomada por uma saudade enorme, e um sonho ruim, disco os números que alguma vez já decorei, esqueci e apaguei. Ouço sua voz inesquecível, coração que palpita, ansiedade que toma conta. Sem muito o que fazer, e tanta coisa a dizer, desligo. Saciada, medrosa e levada; vivendo, e fazendo acontecer. E mesmo assim, sentindo enormemente a falta nobre que é estar sem a sua presença ilustre. Porque não há faculdade federal, carro importado ou paixão por mim que compre ou derrube o território que conquistaste em mim. Ainda aqui, quem manda no pedaço, e comanda ruas, movimentações e greves, é o senhor. Pode ter certeza, excelentíssimo."
(Camila Paier)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Apaixone-se
Apaixone-se pela manhã, que em todos os dias te levanta com os pés firmes no chão.
Apaixone-se pelas canções, que mesmo quando todos se calam, elas ainda sussurram o refrão em seus ouvidos.
Apaixone-se pelo hoje, que te faz respirar, enxergar, sentir, viver...
Apaixone por você, pois não existirá ninguém melhor para se amar do que a si mesmo, pois só descobrimos o que é amor, quando nos apaixonamos primeiramente por nós mesmos.
Apaixone-se pela vida, ela é o único presente que você diz que não pediu, mas que jamais deseja perder.
Apaixone-se mil vezes pela mesma coisa, se esse sentimento te faz crescer, apaixone-se cada dia mais e mais.
Apaixone-se pelos dias, eles passam depressa e quando você menos esperar eles já não existem mais.
Apaixone-se por cada conversa, pois ela pode ser definitiva dependendo da circunstância.
Apaixone-se pela dança, principalmente se for a dois, pois ela te faz sentir vivo, capaz.
Apaixone-se por quem te faz sorrir, pois essa pessoa merece muito mais do que você imagina.
Apaixone-se! A vida te presenteia quando você se entrega e acredita no amor.
Apaixone-se pela vontade de amar, pois existirá um momento em que sozinho não dará mais para ficar.
Algumas pessoas sentem medo de se apaixonar, e no entanto não se dão a oportunidade para apaixonar-se por um sonho.
A vida é curta e na entrega ao medo perdemos um tempo precioso.
Apaixone-se por um sonho, acredite que tudo dará certo, pois somente a sua fé trará seu sonho pra perto de você.
Você poderá se perder em meio a uma multidão, mas alguém predestinado irá te encontrar, basta você acreditar.
Você poderá sentir solidão, querer e não ter alguém para compartilhar um desejo... mas acredite, esse alguém está chegando, é que por algum motivo algo o atrasou, mas a sua fé o trará para perto de você.
Apaixone-se, pois uma vida repleta de canções te espera.
E o amor simplesmente virá trazendo consigo uma alma apaixonada.
Apaixone-se, pois no final poderá contemplar a magia de tudo aquilo que teve fé.
Tudo tem hora e lugar para acontecer, basta você confiar, confiar que tudo que aconteceu é merecimento por seus sinceros desejos.
O tempo vai passar, e com ele você irá envelhecer...
E nessa rotina da vida, nunca se esqueça...
Apaixone-se mil vezes por você, seja em qual época ou lugar for...
APAIXONE-SE!
(Fabiana Thais Oliveira)
Apaixone-se pelas canções, que mesmo quando todos se calam, elas ainda sussurram o refrão em seus ouvidos.
Apaixone-se pelo hoje, que te faz respirar, enxergar, sentir, viver...
Apaixone por você, pois não existirá ninguém melhor para se amar do que a si mesmo, pois só descobrimos o que é amor, quando nos apaixonamos primeiramente por nós mesmos.
Apaixone-se pela vida, ela é o único presente que você diz que não pediu, mas que jamais deseja perder.
Apaixone-se mil vezes pela mesma coisa, se esse sentimento te faz crescer, apaixone-se cada dia mais e mais.
Apaixone-se pelos dias, eles passam depressa e quando você menos esperar eles já não existem mais.
Apaixone-se por cada conversa, pois ela pode ser definitiva dependendo da circunstância.
Apaixone-se pela dança, principalmente se for a dois, pois ela te faz sentir vivo, capaz.
Apaixone-se por quem te faz sorrir, pois essa pessoa merece muito mais do que você imagina.
Apaixone-se! A vida te presenteia quando você se entrega e acredita no amor.
Apaixone-se pela vontade de amar, pois existirá um momento em que sozinho não dará mais para ficar.
Algumas pessoas sentem medo de se apaixonar, e no entanto não se dão a oportunidade para apaixonar-se por um sonho.
A vida é curta e na entrega ao medo perdemos um tempo precioso.
Apaixone-se por um sonho, acredite que tudo dará certo, pois somente a sua fé trará seu sonho pra perto de você.
Você poderá se perder em meio a uma multidão, mas alguém predestinado irá te encontrar, basta você acreditar.
Você poderá sentir solidão, querer e não ter alguém para compartilhar um desejo... mas acredite, esse alguém está chegando, é que por algum motivo algo o atrasou, mas a sua fé o trará para perto de você.
Apaixone-se, pois uma vida repleta de canções te espera.
E o amor simplesmente virá trazendo consigo uma alma apaixonada.
Apaixone-se, pois no final poderá contemplar a magia de tudo aquilo que teve fé.
Tudo tem hora e lugar para acontecer, basta você confiar, confiar que tudo que aconteceu é merecimento por seus sinceros desejos.
O tempo vai passar, e com ele você irá envelhecer...
E nessa rotina da vida, nunca se esqueça...
Apaixone-se mil vezes por você, seja em qual época ou lugar for...
APAIXONE-SE!
(Fabiana Thais Oliveira)
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Escolhida
“(...)Me senti sozinha numa multidão feliz e completa, pela milésima vez. Nunca ninguém me escolheu. Desdenharam quase sempre meus olhos assim pequenos e um pouco puxados, não chineses ou japas, em troca de uns olhos grande, ou cilíos curvados e protuberantes. Minhas medidas voluptuosas sempre foram cheias de segundas intenções, nunca encaradas com seriedade. Não quiseram nem o meu jeito romântico -errante, exagerado e inconseqüente. Simplesmente, todos fingem ignorar o meu orgulho na excentricidade, e titubeiam em me escolher. Fiquei o dia inteiro com a dúvida indulgente e pesada na minha consciência, de se eu era tão estranha, tão inadaptável assim, ao chegar ao ponto alto da solidão. Acho a maioria das pessoas que já se aproximaram do meu complicado e conflituoso círculo emocional, tão diferentes de mim. Teve gente sem personalidade. Um pessoal muito frio e racional. E uma galera tão mais estável, ou instável, séria demais ou infantil que eu. Talvez por isso que o bando heterogêneo que eu ainda habitava aqui dentro, indivíduos tão complexos, todos com suas feridas, e traumas, e completamente distintos uns dos outros, tenham todos se esvaido e abandonado o barco. Assim, ao longo do percurso. Mergulhar assim, do rio profundo que eu fazia da minha vida, e do barco alto que protegia meus escolhidos, e queridos. Não, não gosto de deixar as pessoas. É caro para a alma, tira a paz de espírito, e mais: demoro a selecionar meus preferidos, porém, quando acolhidos, são meus.
(...)Penso que as diferenças, somam. Que estar próximo a alguém tão parecido, e tão igual, tendo as mesmas dúvidas e complexidades, uns questionamentos parecidos, gostar das mesmas bandas, cores, e programas, não engrandece em nada, e não faz progredir. Ver outros lados desse poliedro complexo, chamado dia-a-dia, vitta, de uma maneira inovadora. Ou apenas, não me conformo de não ser nunca anunciada, ou reconhecida, nesse planeta gigante e azul, denso. Conhecer tanta gente, e nenhum encanto. Uma luz no caminho. Não no fim, porque falta muito para a velhice. Uns raios temporários, que me venham ainda, ou por vezes, esporadicamente, mas que ocorram. Pessoas complexas, mas diferentes de mim. Eu gosto, e aprendo. Gosto de ver pessoas tão calculistas, ou exaltivas, cansativas. Ver seus comportamentos, analisar cada minúcia, trajeitos e suas escolhas. Ou rir, demais, de tudo. Se divertir. Nessa diversidade extensa que agora é o mundo, nada melhor do que fazer parte da mistura miscigenada de cores, sons, vozes e aparências que hoje existem! E aprender: com tanta diferença, com muito amor. Escolho e ainda continuo escolhendo o que me brilha, o que me colore e ilumina. Aquilo que acende alguma luz interna, diferente da minha, que às vezes brilha de tão cega, forte. Ou apagua, sem razão alguma. Porque razão, comigo não funciona. Coração toma a frente dianteira, e age antes, age sempre. ”
(Camila Paier)
(...)Penso que as diferenças, somam. Que estar próximo a alguém tão parecido, e tão igual, tendo as mesmas dúvidas e complexidades, uns questionamentos parecidos, gostar das mesmas bandas, cores, e programas, não engrandece em nada, e não faz progredir. Ver outros lados desse poliedro complexo, chamado dia-a-dia, vitta, de uma maneira inovadora. Ou apenas, não me conformo de não ser nunca anunciada, ou reconhecida, nesse planeta gigante e azul, denso. Conhecer tanta gente, e nenhum encanto. Uma luz no caminho. Não no fim, porque falta muito para a velhice. Uns raios temporários, que me venham ainda, ou por vezes, esporadicamente, mas que ocorram. Pessoas complexas, mas diferentes de mim. Eu gosto, e aprendo. Gosto de ver pessoas tão calculistas, ou exaltivas, cansativas. Ver seus comportamentos, analisar cada minúcia, trajeitos e suas escolhas. Ou rir, demais, de tudo. Se divertir. Nessa diversidade extensa que agora é o mundo, nada melhor do que fazer parte da mistura miscigenada de cores, sons, vozes e aparências que hoje existem! E aprender: com tanta diferença, com muito amor. Escolho e ainda continuo escolhendo o que me brilha, o que me colore e ilumina. Aquilo que acende alguma luz interna, diferente da minha, que às vezes brilha de tão cega, forte. Ou apagua, sem razão alguma. Porque razão, comigo não funciona. Coração toma a frente dianteira, e age antes, age sempre. ”
(Camila Paier)
terça-feira, 6 de julho de 2010
Cresceu em mim
"(...)você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, (...)
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, (...) é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, (...)"
"- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu."
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, (...) é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, (...)"
"- Você tem um cigarro?
- Estou tentando parar de fumar.
- Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
- Você tem uma coisa nas mãos agora.
- Eu?
- Eu."
Um pouco é o suficiente
"Quando tudo estiver dito e feito,
nós ainda sentiremos dor?
As cicatrizes sumirão com a noite?
Tente sorrir para a luz da manhã
É como o melhor sonho para se ter
onde tudo não é tão ruim.
Cada lágrima é tão solitária.
Como se Deus, o próprio, estivesse vindo para casa para dizer
Eu, eu posso fazer qualquer coisa
se você me quiser aqui.
E eu posso consertar qualquer coisa
se você me deixar por perto.
Onde estão aqueles segredos agora
que você está assustada demais para dizer?
Eu os sussurraria bem alto,
assim você pode ouvir a sí mesmo.
Árvores verdes eram o primeiro sinal.
O azul mais profundo, o céu mais limpo.
O silêncio veio com olhos mais brilhantes,
e transformou água em vinho.
As crianças correram para ver.
Os pais permaneceram descrentes.
E aqueles que se souberam apoiados para a viagem.
A própria terra ficou viva para dizer
Me desculpe por ter que dizer isso, mas você parece triste.
Seu sorriso se foi; Eu percebi... e isso é mau.
A cura é se você deixar um pouco mais de amor entrar,
e eu te prometo, um pouco é suficiente
Só um pouco..."
nós ainda sentiremos dor?
As cicatrizes sumirão com a noite?
Tente sorrir para a luz da manhã
É como o melhor sonho para se ter
onde tudo não é tão ruim.
Cada lágrima é tão solitária.
Como se Deus, o próprio, estivesse vindo para casa para dizer
Eu, eu posso fazer qualquer coisa
se você me quiser aqui.
E eu posso consertar qualquer coisa
se você me deixar por perto.
Onde estão aqueles segredos agora
que você está assustada demais para dizer?
Eu os sussurraria bem alto,
assim você pode ouvir a sí mesmo.
Árvores verdes eram o primeiro sinal.
O azul mais profundo, o céu mais limpo.
O silêncio veio com olhos mais brilhantes,
e transformou água em vinho.
As crianças correram para ver.
Os pais permaneceram descrentes.
E aqueles que se souberam apoiados para a viagem.
A própria terra ficou viva para dizer
Me desculpe por ter que dizer isso, mas você parece triste.
Seu sorriso se foi; Eu percebi... e isso é mau.
A cura é se você deixar um pouco mais de amor entrar,
e eu te prometo, um pouco é suficiente
Só um pouco..."
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Homem banana
"No mercado, é sempre o que sobra, e está constantemente nas promoções do encarte. Mas não se engane, não, mocinha: por mais barato, vistoso ou vitaminado que aparente ser, o homem banana consegue mostrar em poucos mas necessários sinais, que é um belo idiota. Sobram, porque são devolvidos. E com o tempo, aprendemos a identificar os sinais cada vez mais cedo, muitas vezes, nem chegando a de fato "adquirir" tal fruto enganoso. Cadê os homens reais, de verdade e opinião? Cada vez mais, a bananice crônica tem tomado conta da mente masculina, o que é uma lástima. O jeito é ir experimentando, até encontrar o gosto ideal - e que no mínimo, maduro esteja.
Não se preocupe: se você ainda não teve o desprazer de conhecer algum, com certeza há tal ser no seu caminho. Você pode não perceber de cara, logo ao vê-lo. Eles se camuflam nos mais variados jeitos. Pode ser aquele super seguro e independente, que mora sozinho. O rapaz que trabalha, e não sobrevive do dinheiro dos pais. Aquele líder de um bando de amigos, sabe? Estudioso, ou cheio de estilo. A bananice é um estado de espírito: está por dentro. Por mais forte, robusto ou macho que pareça, é nas pequenas atitudes que o diagnóstico pode ser expelido: ele é um banana. Que pena.
Eles não compreendem indiretas. Você pode estar louca para ganhar um presente de aniversário, um pedido de namoro, ou uma noite enlouquecedora e quente. Não vai adiantar em nada dizer que precisa de sapatos novos, que não quer ficar com ninguém além dele, ou que, você comprou uma lingerie novíssima: pra esses entendedores, nem um turbilhão de palavras basta. Atitudes, menos ainda. Timidez, não é. Só esqueça aquelas declarações inesperadas de amor, atos grandiosos de reconciliação, ou pedidos de desculpas. Esse tipo infame de homem é incapaz de qualquer coisa que saía de sua humilde zona de conforto. É..
Propor algo, para ele é como ir ao dentista, para a maioria absoluta da população: uma tortura. É sempre levado pelo ritmo alheio. Pela vontade dos amigos, pelo esforço dos pais, pela opinião do povo. Vai naquela balada, porque os amigos vão. E se os pais acham melhor que ele não vá, que ele não faça, ou que compre algo, pode apostar: ele o fará. Vontade própria, é como se não existisse dentro deste ser molengo. Deixa você ou qualquer outra pessoa escolher o jantar, o canal da televisão, e até mesmo, as roupas que ele vestirá.
Apenas uma mulher será páreo para você, se assim sobreviver nesse relacionamento sem graça: a mamãe. Ele é quase tão apegado à la mamma que deixa que ela compre seus objetos para higiene, e boa parte de suas roupas - até mesmo, suas cuecas. E se briga com você, a opinião da sogrinha importará muito, pode ter certeza. Ou seja, além de lutar contra tanta letargia comportamental da parte do banana man, você ainda terá que driblar a mãe do dito cujo. É, sem dúvida alguma, o filhinho da mamãe, ou o menininho do papai (mesmo com quase trinta anos na cara..).Haja paciência!
Bananas não sabem dar conselhos. Não que seja por falta de vontade em ajudar, mas eles simplesmente não o sabem fazer com originalidade. Apelam para o clichê, e para eles vai sempre ficar tudo bem, basta apenas você "relaxar". Sim, claro, Sr. bundão. E se o problema é com ele, pior ainda: se fecha num casulo interno, com medo de tanta ira e revolta. Ele alegará mais tarde que, esperou você se acalmar, e que, odeia discussão. Pudera, ele não saberia como se defender (até porque, não a defende em lugares públicos quando homens assobiam para você, ou aquela menina pisa com tudo no seu pé numa festa). A culpa nunca é dele, e esse é o seu fiel argumento. Além de ser covarde, consegue ser juntamente um grande babaca.
Um dos assuntos preferidos desse tipinho é o que possui. Se não ele, os pais, os tios, ou os avós. Ele realmente acha que dinheiro impressiona, e estamos no século retrasado, quando ainda existia o dote, e os valores se davam pelo âmbito financeiro. Coitado...É tão ingênuo e influenciável, que chega a dar pena de tamanha falta de personalidade e atitude. A não existência de coragem é outra questão, que se não o sufoca por dentro, acaba a sufocando por osmose. Não assume compromisso, ainda mais, se os amigos estiverem solteiros. Quando os companheiros de futebol ou barzinho resolverem que é hora de ter uma mulher ao lado, ele pensa no assunto. E acaba ficando com a pior opção possível, porque não sabe que pessoas ficam juntas por que querem, e não por ser o momento propício. Então, ele será sempre aquele cara que namora, e ainda te procura. Ou que vive no seu pé, mesmo depois de tantos foras.
E no final, você se entedia de tanta chatice e escassez de acontecimentos, e finalmente caí fora. Afinal, a banana depois de descascada, se no chão pode escorregar. Melhor jogar fora no lixo mesmo!"
(Camila Paier)
Não se preocupe: se você ainda não teve o desprazer de conhecer algum, com certeza há tal ser no seu caminho. Você pode não perceber de cara, logo ao vê-lo. Eles se camuflam nos mais variados jeitos. Pode ser aquele super seguro e independente, que mora sozinho. O rapaz que trabalha, e não sobrevive do dinheiro dos pais. Aquele líder de um bando de amigos, sabe? Estudioso, ou cheio de estilo. A bananice é um estado de espírito: está por dentro. Por mais forte, robusto ou macho que pareça, é nas pequenas atitudes que o diagnóstico pode ser expelido: ele é um banana. Que pena.
Eles não compreendem indiretas. Você pode estar louca para ganhar um presente de aniversário, um pedido de namoro, ou uma noite enlouquecedora e quente. Não vai adiantar em nada dizer que precisa de sapatos novos, que não quer ficar com ninguém além dele, ou que, você comprou uma lingerie novíssima: pra esses entendedores, nem um turbilhão de palavras basta. Atitudes, menos ainda. Timidez, não é. Só esqueça aquelas declarações inesperadas de amor, atos grandiosos de reconciliação, ou pedidos de desculpas. Esse tipo infame de homem é incapaz de qualquer coisa que saía de sua humilde zona de conforto. É..
Propor algo, para ele é como ir ao dentista, para a maioria absoluta da população: uma tortura. É sempre levado pelo ritmo alheio. Pela vontade dos amigos, pelo esforço dos pais, pela opinião do povo. Vai naquela balada, porque os amigos vão. E se os pais acham melhor que ele não vá, que ele não faça, ou que compre algo, pode apostar: ele o fará. Vontade própria, é como se não existisse dentro deste ser molengo. Deixa você ou qualquer outra pessoa escolher o jantar, o canal da televisão, e até mesmo, as roupas que ele vestirá.
Apenas uma mulher será páreo para você, se assim sobreviver nesse relacionamento sem graça: a mamãe. Ele é quase tão apegado à la mamma que deixa que ela compre seus objetos para higiene, e boa parte de suas roupas - até mesmo, suas cuecas. E se briga com você, a opinião da sogrinha importará muito, pode ter certeza. Ou seja, além de lutar contra tanta letargia comportamental da parte do banana man, você ainda terá que driblar a mãe do dito cujo. É, sem dúvida alguma, o filhinho da mamãe, ou o menininho do papai (mesmo com quase trinta anos na cara..).Haja paciência!
Bananas não sabem dar conselhos. Não que seja por falta de vontade em ajudar, mas eles simplesmente não o sabem fazer com originalidade. Apelam para o clichê, e para eles vai sempre ficar tudo bem, basta apenas você "relaxar". Sim, claro, Sr. bundão. E se o problema é com ele, pior ainda: se fecha num casulo interno, com medo de tanta ira e revolta. Ele alegará mais tarde que, esperou você se acalmar, e que, odeia discussão. Pudera, ele não saberia como se defender (até porque, não a defende em lugares públicos quando homens assobiam para você, ou aquela menina pisa com tudo no seu pé numa festa). A culpa nunca é dele, e esse é o seu fiel argumento. Além de ser covarde, consegue ser juntamente um grande babaca.
Um dos assuntos preferidos desse tipinho é o que possui. Se não ele, os pais, os tios, ou os avós. Ele realmente acha que dinheiro impressiona, e estamos no século retrasado, quando ainda existia o dote, e os valores se davam pelo âmbito financeiro. Coitado...É tão ingênuo e influenciável, que chega a dar pena de tamanha falta de personalidade e atitude. A não existência de coragem é outra questão, que se não o sufoca por dentro, acaba a sufocando por osmose. Não assume compromisso, ainda mais, se os amigos estiverem solteiros. Quando os companheiros de futebol ou barzinho resolverem que é hora de ter uma mulher ao lado, ele pensa no assunto. E acaba ficando com a pior opção possível, porque não sabe que pessoas ficam juntas por que querem, e não por ser o momento propício. Então, ele será sempre aquele cara que namora, e ainda te procura. Ou que vive no seu pé, mesmo depois de tantos foras.
E no final, você se entedia de tanta chatice e escassez de acontecimentos, e finalmente caí fora. Afinal, a banana depois de descascada, se no chão pode escorregar. Melhor jogar fora no lixo mesmo!"
(Camila Paier)
domingo, 4 de julho de 2010
Aprender com a dor
“Infelizmente a alegria não ensina tanto quanto a tristeza. A dor dura mais e o sorriso logo se vai. Erros são lembrados e triunfos esquecidos. Tão fácil ter inimigos, mais difícil fazer amigos. Aprender com a dor, conviver com o amor, lembrar que sorrir pode te levantar. Tentar segurar o que há de bom, não deixar de sonhar que logo vai melhorar. E não há como esquecer palavras que te fazem chorar, qualquer motivo é suficiente pra lembrar. Sofrer atinge nossas vidas com muita força, enquanto lindos olhos não demoram a fechar. Aprender com a dor, conviver com amor, lembrar que sorrir pode te levantar. Tentar segurar o que há de bom, não deixar de sonhar que logo vai melhorar!”
Já Foi - Jota Quest
"Eu sempre quis fazer você feliz
Às vezes, me deixava pra outra hora
Eu sempre quis falar o que eu sentia
Mas dessa vez foi o silêncio que falou por mim
Eu sempre me esforcei pra te incentivar
Tua falta de caminho me detinha a intenção
Eu sempre te deixei bem à vontade
Mas tua falta de vontade me desmotivou
Quer saber? Já foi
Vou cuidar de mim
Quer saber? Eu quero alguém pra dividir
Gostar de quem gosta de mim
Eu sempre acreditei muito em nós dois
Primeiro em você, depois em mim, éramos nós
Eu sempre quis fazer a minha parte
Mas você não faz mais parte
Da metade de nós dois
E quanto a gente paga
Pelos sonhos que deixou?
E quanto vale
O tempo todos que vivemos
Correndo atrás dos sonhos
Pra viver só de amor?"
Às vezes, me deixava pra outra hora
Eu sempre quis falar o que eu sentia
Mas dessa vez foi o silêncio que falou por mim
Eu sempre me esforcei pra te incentivar
Tua falta de caminho me detinha a intenção
Eu sempre te deixei bem à vontade
Mas tua falta de vontade me desmotivou
Quer saber? Já foi
Vou cuidar de mim
Quer saber? Eu quero alguém pra dividir
Gostar de quem gosta de mim
Eu sempre acreditei muito em nós dois
Primeiro em você, depois em mim, éramos nós
Eu sempre quis fazer a minha parte
Mas você não faz mais parte
Da metade de nós dois
E quanto a gente paga
Pelos sonhos que deixou?
E quanto vale
O tempo todos que vivemos
Correndo atrás dos sonhos
Pra viver só de amor?"
sábado, 3 de julho de 2010
Eterno, só nas lembranças.
“Guardo meus momentos mais bonitos do que foi vivido, as idéias trocadas, os afetos puros que tive. Se teve, não sei. Mas foi intenso enquanto durou. Eterno, só nas lembranças. Que é assim que todos os relacionamentos deveriam permanecer... Inclusive, o que causou o nocaute da bandeira que levantávamos. Num balanço final, não vejo vilões ou grandes malfeitores. Alguns. Alguma. Enfim, não me culpo por nada. Minha participação, mesmo que transitória e nebulosa em alguns momentos, sempre foi constantemente alegre e entusiasmada, querendo apenas o bem; pra mim, pra ti. Pro que viria a ser, se algum dia permitisse o bosque escuro que é o teu coração, nós. Eu choro pelo que não foi, pelo que poderia ter sido. E embora não entenda tua atitude, compreendo.” (Camila Paier)
Re-amar. Amar.
“Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou.
Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes.
Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia.
Mas você tem que remar também. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar.Re-amar. Amar.”
Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes.
Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia.
Mas você tem que remar também. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar.Re-amar. Amar.”
Levante os olhos
"ai como é triste. é triste querer falar com uma pessoa e ela nem te levantar os olhos. se for pra ser assim, preferiria que me atirasse um livro ou algo parecido. preferiria que pudesse te despertar algum sentimento. incrível que depois de tudo que se passou você ainda gostasse de mim. sim, é notável.
agora você me superou. percebeu que no fundo mesmo, sou só uma pessoa quebrada e obcecada com detalhes. é verdade que nunca soube bem o que te dizer, e aqueles silêncios sempre se instalavam entre nós, daí eu fazia algum comentário medíocre e você fingia ter escutado. é que eu me sentia aflita de estar te aborrecendo.
tem gente que consegue ter paz de espírito com certas coisas porque sabe que fez o seu melhor. mas a verdade é que eu sei que não fiz. desde o começo fui mimada, egoísta, de vez em quando até burra. sei que você merecia melhor, mas não queria admitir. ó, humbert, entre nós dois sempre foi obvio quem era a melhor pessoa... e você aceitava com tudo com resignação e paciência. claro, os tempos mudam, e você enfim se cansou de mim. previ que isso iria acontecer desde o começo, então porque continuo a pensar nisso tudo?
mas é verdade que não penso com amargura ou esperança de tê-lo de volta, não do jeito que era antes, o que foi, foi.
só percebi o erro que era te prender no agora, no limite da sanidade. mas posso dizer que no fim, fiz o que pude. Fiz o que pude, fiz o que pude. repito como um mantra até que eu mesma comece a acreditar nisso.
por favor, não tenha raiva de mim. por favor, tente me entender, como te amei do começo ao fim. o que mudou foi meu amor. simplesmente entendi que era inútil para os dois te prender a mim, você merece melhor.
o consolo é que fiz o que achei melhor (pra você!) e de um certo modo pra mim também, pois não conseguiria viver achando que te faço miserável, veja bem, agora eu realmente me importo! agora sim meu amor é verídico e digno. é lindo renunciar a alguém querido pelo bem da pessoa.
fique em paz e por favor... levante os olhos quando eu falar contigo."
agora você me superou. percebeu que no fundo mesmo, sou só uma pessoa quebrada e obcecada com detalhes. é verdade que nunca soube bem o que te dizer, e aqueles silêncios sempre se instalavam entre nós, daí eu fazia algum comentário medíocre e você fingia ter escutado. é que eu me sentia aflita de estar te aborrecendo.
tem gente que consegue ter paz de espírito com certas coisas porque sabe que fez o seu melhor. mas a verdade é que eu sei que não fiz. desde o começo fui mimada, egoísta, de vez em quando até burra. sei que você merecia melhor, mas não queria admitir. ó, humbert, entre nós dois sempre foi obvio quem era a melhor pessoa... e você aceitava com tudo com resignação e paciência. claro, os tempos mudam, e você enfim se cansou de mim. previ que isso iria acontecer desde o começo, então porque continuo a pensar nisso tudo?
mas é verdade que não penso com amargura ou esperança de tê-lo de volta, não do jeito que era antes, o que foi, foi.
só percebi o erro que era te prender no agora, no limite da sanidade. mas posso dizer que no fim, fiz o que pude. Fiz o que pude, fiz o que pude. repito como um mantra até que eu mesma comece a acreditar nisso.
por favor, não tenha raiva de mim. por favor, tente me entender, como te amei do começo ao fim. o que mudou foi meu amor. simplesmente entendi que era inútil para os dois te prender a mim, você merece melhor.
o consolo é que fiz o que achei melhor (pra você!) e de um certo modo pra mim também, pois não conseguiria viver achando que te faço miserável, veja bem, agora eu realmente me importo! agora sim meu amor é verídico e digno. é lindo renunciar a alguém querido pelo bem da pessoa.
fique em paz e por favor... levante os olhos quando eu falar contigo."
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O vento leva.
"Agora eu deixo o vento levar as magoas, as palavras perdidas, as desculpas não atendidas, os valores não dados, os apelos de paz não atendidos. Deixo o vento levar junto com ele, toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa, e sopro pra eles irem longe de mim. Só não deixo que ele leve as memórias, porque fora a coisa mais fascinante que me resta. Portanto, depois de todo o processo, eu me levantei, me recompus, limpei o rosto, afastei a necessidade e segui em frente. Fiz isso, porque era a melhor coisa a se fazer, maybe."
Vocês sabia/A vida sempre nos prega uma peça
“Você sabia exatamente quando eu estava precisando de um colo, de um ombro. Ao escutar a minha voz sabia se eu estava bem ou não, sabia a hora de falar e de calar. Conheci todos os teus tipos de olhares e sorrisos. Lembro de cada um deles. Conheci teus defeitos, tua mania de me provocar só para me deixar irritada porque você adorava me ver braba. Falávamos sobre filmes, livros e lugares do mundo que gostaríamos de conhecer. Planejávamos nosso futuro juntos, imaginávamos como seria nossa filhinha e nosso apartamento. Gostávamos de ficar jogando joguinhos bestas e ir ao cinema, comer Ouro Branco e Ferrero Rocher. Era o teu preferido. Contigo aprendi a não ter medo do futuro, a não me prender ao passado, a perdoar os erros dos outros. Aprendi a perdoar os teus erros, os meus erros. Aprendi que não é coisa de criança ter medo do escuro e de trovões, aprendi que não se deve viver numa redoma de vidro, temos que sair da toca. Aprendi que não adianta, não sei desenhar mesmo! Aprendi que precisamos valorizar todos os dias quem amamos. Falar, dizer, verbalizar, expor, escancarar, dar a cara para bater. Descobri que ser doce não significa ser grudenta, ser gentil não significa ser um capacho, ser sincera não significa ser cara de pau. A coisa mais importante que aprendi contigo foi o significado do sentimento mais puro e nobre que uma pessoa pode possuir por outra: o amor. Eu preciso muito te agradecer mas não tenho como, mesmo assim obrigada. Jamais vou te esquecer, parte de mim vai te amar para sempre. Sei que o nosso para sempre nunca acabará. Lembra? Eu lembro de tudo, desde o momento em que eu acordo até a hora em que vou dormir. Sinto saudades, saudades do que fomos um dia. Fomos muito, fomos muitos. Parte de mim, aquela que vai te amar para sempre, é meu todo hoje. Não me imagino vivendo sem a gente.” (Clarissa Corrêa)
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É assim mesmo, quanto mais penso que sei das coisas mais tenho certeza que estou completamente equivocada. A vida sempre nos prega uma peça, sempre caímos e pensamos que é o fim, que não temos forças pra levantar e seguir em frente, pensamento muito errado esse, não importa o tamanho da queda sempre vamos conseguir. As feridas demoram a sarar, as cicatrizes vão ficar, mas elas estão lá pra vermos e lembrar que se tomarmos o mesmo caminho errado, vamos cair mais uma vez. Hoje mais uma ferida esta sarando em mim, mas eu sei que a cicatriz vai ficar, não vou olha pra ela e lembrar só dos momentos ruins, mas também dos momentos bons que fizeram ela existir. E assim superar e seguir a minha vida.
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É assim mesmo, quanto mais penso que sei das coisas mais tenho certeza que estou completamente equivocada. A vida sempre nos prega uma peça, sempre caímos e pensamos que é o fim, que não temos forças pra levantar e seguir em frente, pensamento muito errado esse, não importa o tamanho da queda sempre vamos conseguir. As feridas demoram a sarar, as cicatrizes vão ficar, mas elas estão lá pra vermos e lembrar que se tomarmos o mesmo caminho errado, vamos cair mais uma vez. Hoje mais uma ferida esta sarando em mim, mas eu sei que a cicatriz vai ficar, não vou olha pra ela e lembrar só dos momentos ruins, mas também dos momentos bons que fizeram ela existir. E assim superar e seguir a minha vida.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Sentimento não explica lógica
“Que ele teve presente durante o tempo em que sorrimos, nos conhecemos aos poucos e devagar, e íamos nos encantando, eu estava ciente. Apenas embalei junto com você o impulso que é viver em delírio e felicidade plena, camuflando todo esse susto que era a minha profundidade, e vivendo o momento presente. Até certo ponto, com prazo de validade. E ele começou a dominar. A situação, a sua mente, você inteiro, e conseqüentemente, eu. Nunca temerosa em sentir, mas em agir. Corria das imprevisibilidades, do humor instável e de tudo o que me confundia a cabeça. E ele infiltrou as ligações inesperadas, as mensagens cheias de carinho, os apelidos doces...Que então, sumiram. Puf! Foram desaparecendo, letargicamente, e o teu afastamento, como consequência.
Tentei curar toda essa epidemia com mais afeto, tirei uma paciência que não me é comum, não sei de onde, e fui até onde nem eu imaginava. Sem notar que, a fobia te acometia a cada olhar mais longo e singelo, a cada surpresa falhada em que eu tentava salvar tudo, ser superior e ignorar o pavor e pesadelo em que tudo se transformava, o sonho lindo que um dia surgiu, e foi se esvaindo. Fui adormecendo, e por mais devagar que fosse, no final era só receio, assombramento. Palpitações, taquicardia, olhar trêmulo e um não saber que me consumiu, que me endoideceu. Preciso de claridade, gosto de saber onde piso, da firmeza do caminho.
A possibilidade de segurança que eu transmitia não condizia ao teu espírito livre, à tua facilidade em chegar e abandonar castelos já construídos, possibilidades pré-moldadas. Tão opostos, que insistimos até o limite estourar. Melhor dizendo, insisti. Quebrei barreiras por mim impostas, cortei laços por mim feitos. Sozinha. Enquanto assistia ao longe a tua partida, e o meu rastejamento, a minha vontade de voltar pro final feliz, pro reino encantado e te levar junto, quebrei a cara - desconstruí o coração. Descobrindo apenas mais tarde que, o medo, aquele que te fazia as mãos suarem e os tchaus azedos, já tinha tomado conta, e não volta a ser o paraíso, a felicidade, e a paz de outros dias. Triste, but real. Que algum dia pelo menos desperte você dessa impossibilidade toda, e perceba que pensar não é escolha, nem caminho. É martírio. Que sentimento não explica lógica, e amor, loteria. E como é princípio meu, que o interessado, dá um jeito. Pra tudo, por todos. E que não seja tarde demais, pra que pelo menos você me alcance, e escute o que sempre te falei, mais uma vez, olhando nos olhos”.
Tentei curar toda essa epidemia com mais afeto, tirei uma paciência que não me é comum, não sei de onde, e fui até onde nem eu imaginava. Sem notar que, a fobia te acometia a cada olhar mais longo e singelo, a cada surpresa falhada em que eu tentava salvar tudo, ser superior e ignorar o pavor e pesadelo em que tudo se transformava, o sonho lindo que um dia surgiu, e foi se esvaindo. Fui adormecendo, e por mais devagar que fosse, no final era só receio, assombramento. Palpitações, taquicardia, olhar trêmulo e um não saber que me consumiu, que me endoideceu. Preciso de claridade, gosto de saber onde piso, da firmeza do caminho.
A possibilidade de segurança que eu transmitia não condizia ao teu espírito livre, à tua facilidade em chegar e abandonar castelos já construídos, possibilidades pré-moldadas. Tão opostos, que insistimos até o limite estourar. Melhor dizendo, insisti. Quebrei barreiras por mim impostas, cortei laços por mim feitos. Sozinha. Enquanto assistia ao longe a tua partida, e o meu rastejamento, a minha vontade de voltar pro final feliz, pro reino encantado e te levar junto, quebrei a cara - desconstruí o coração. Descobrindo apenas mais tarde que, o medo, aquele que te fazia as mãos suarem e os tchaus azedos, já tinha tomado conta, e não volta a ser o paraíso, a felicidade, e a paz de outros dias. Triste, but real. Que algum dia pelo menos desperte você dessa impossibilidade toda, e perceba que pensar não é escolha, nem caminho. É martírio. Que sentimento não explica lógica, e amor, loteria. E como é princípio meu, que o interessado, dá um jeito. Pra tudo, por todos. E que não seja tarde demais, pra que pelo menos você me alcance, e escute o que sempre te falei, mais uma vez, olhando nos olhos”.
Eu preciso dizer que te amo
"Quando a gente conversa
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu nem sei que hora dizer
Me da um medo ( que medo )
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo
Tanto
E ate o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Voce me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
e nessa novela eu não quero ser teu amigo
Eu ja nao sei se eu to me estorando
Ah, eu perco o sono
Lembrando em cada riso seu qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira"
Contando casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu nem sei que hora dizer
Me da um medo ( que medo )
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É eu preciso dizer que eu te amo
Tanto
E ate o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Voce me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
e nessa novela eu não quero ser teu amigo
Eu ja nao sei se eu to me estorando
Ah, eu perco o sono
Lembrando em cada riso seu qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira"
segunda-feira, 28 de junho de 2010
"Um nojo úmido, umas flores"
"Acordar depois das dez tem suas vantagens. Menina do dia que sempre fui, descobri isso tarde. O dia, sem dúvida alguma, passa mais rápido. E quando esse dia é domingo, a gente apenas comemora, certo? Odiosa de finais, fechamento de ciclos, detesto o último dia da semana. Mas hoje, não. O sol aberto, o céu brilhante, as nuvens escassas. Nada deixou com que eu detestasse esse dia. Em família, como tantos que gradualmente vem se configurando, nessa categoria. Porém, aquilo foi me cansando. Como quando tudo vai bem demais, explodi. Não dá pra ver um castelo de areia bonito, e construído, não? Piso com força, sem medo; destruo sem dó. Piedade? O que é isso? Eu quis a paz, mas não essa calmaria. E depois tento construir com pressa e perfeccionismo, dois adjacentes. Não dá. Explodo, estrago tudo, e é por amor. Amor demais. Minha família me ama muito. Tanto, que eu não sei aceitar. Certa vez, construí toda uma teoria sobre o assunto. Meus pais e irmãos gostam de mim de forma tão intensa e gratificante, que não dão espaço para outras pessoas me amarem. Isso mesmo. Penso que, todos recebemos a mesma dose diária, semanal ou mensal, - que seja - de amor. E quando você recebe tanto, mas tanto amor de uma dessas vertentes, a outra fica corrompida. E que toda essa superproteção, essa paixão indomável, me davam amor fraternal - e eu ficava escassa de amor carnal. Típico pensamento chave pra encaixar na fechadura da minha má sorte amorosa.
E então você sente um nojo dessa hipocrisia toda. Dessas pessoas que prometem, e não cumprem. Desses tipos que fingem, e não são. De tentar ser feliz, e conseguir muito raramente. Com intensidade, mas em poucas ocasiões. Você vê pouca realidade, nos sonhos que a sua cabeça fraca e o seu coração burro construíram.Você dá segundas, terceiras e quartas chances, e as pessoas rasgam fora. Depositam no lixo, toda a sua nuvem de algodão, o seu cetim e seus paetês emocionais. Ninguém te conforta, e os erros são os mesmos. Te avisei, alguns dizem. Eu já sabia, eu já sabia, eu já sabia, respondo. E pior: não saem do pé. Sarna pra se coçar, que eu mesma fiz questão de selecionar. Mesmo que chacoalhe, perseguição é a resposta. E quinta chance, é complicado. Melhor não. Papel de palhaça é o destino. E não entendendo muito dessa vida, querendo que alguma coisa (boa) aconteça com urgência, você vai vivendo. Sem muita esperança, e como a vida ordena. Com aquela velha vontade de viajar e sumir, sem volta, no bolso. Pra ver se os seres se tocam, as coisas tomem rumos certos. E apenas decepção. Um nojo úmido, um vazio incompleto e a mesma vontade de ser dura, de incorporar a rude, que na maioria das vezes, não consigo. Karma que é ser toda boazinha e coração, e perdoar desculpas inúteis e gente desmerecedora.
Volto pra minha cama, meu momento de solidão facultativa. Quero ficar sozinha, apenas. Meus três livros, bolsa no final da cama. O armário bagunçado, superlotado. Entre um amor tão grandioso, e vibrante, e gente que me cansa, quebras-cabeças incompatíveis, minha companhia própria e inconfundível. Sabendo que, descendo a escada, o amor está ali. Carnal ou fraterno, amor. Flores do meu cotidiano, entre tantas poças de limo, lama e o nojo dessa umidade cinzenta. Obrigada."
(Camila Paier)
E então você sente um nojo dessa hipocrisia toda. Dessas pessoas que prometem, e não cumprem. Desses tipos que fingem, e não são. De tentar ser feliz, e conseguir muito raramente. Com intensidade, mas em poucas ocasiões. Você vê pouca realidade, nos sonhos que a sua cabeça fraca e o seu coração burro construíram.Você dá segundas, terceiras e quartas chances, e as pessoas rasgam fora. Depositam no lixo, toda a sua nuvem de algodão, o seu cetim e seus paetês emocionais. Ninguém te conforta, e os erros são os mesmos. Te avisei, alguns dizem. Eu já sabia, eu já sabia, eu já sabia, respondo. E pior: não saem do pé. Sarna pra se coçar, que eu mesma fiz questão de selecionar. Mesmo que chacoalhe, perseguição é a resposta. E quinta chance, é complicado. Melhor não. Papel de palhaça é o destino. E não entendendo muito dessa vida, querendo que alguma coisa (boa) aconteça com urgência, você vai vivendo. Sem muita esperança, e como a vida ordena. Com aquela velha vontade de viajar e sumir, sem volta, no bolso. Pra ver se os seres se tocam, as coisas tomem rumos certos. E apenas decepção. Um nojo úmido, um vazio incompleto e a mesma vontade de ser dura, de incorporar a rude, que na maioria das vezes, não consigo. Karma que é ser toda boazinha e coração, e perdoar desculpas inúteis e gente desmerecedora.
Volto pra minha cama, meu momento de solidão facultativa. Quero ficar sozinha, apenas. Meus três livros, bolsa no final da cama. O armário bagunçado, superlotado. Entre um amor tão grandioso, e vibrante, e gente que me cansa, quebras-cabeças incompatíveis, minha companhia própria e inconfundível. Sabendo que, descendo a escada, o amor está ali. Carnal ou fraterno, amor. Flores do meu cotidiano, entre tantas poças de limo, lama e o nojo dessa umidade cinzenta. Obrigada."
(Camila Paier)
Sinto muito.
"Sabe, atualmente, você faz uma parte muito maior da minha vida do que eu faço na sua. Eu sempre soube disso, e nunca nem imaginei o contrário. Antes eu estava até esperando. Esperando minha deixa, minha brecha pra ocupar o meu lugar de novo. Mas, agora não mais. Também não sai correndo, mas resolvi desistir de coisas que sei que não vão acontecer. Tudo que aconteceu, eu esperei e fiz o que pude pra que nada mudasse, mas preciso admitir que sua rua de emergência não sou mais eu. É sem rancor que desabafo assim, eu apenas estou me acostumando a viver sem você ultimamente. Talvez isso não seja tão triste. Triste foi o papel que eu me designei na sua vida durante os últimos tempos. E eu sinto muito. Por isso agora digo que guardarei cada pedacinho seu que restou em mim. Pretendo chorar sim, pelo que fomos, pelo ontem morto. Pretendo também me contradizer e errar muito. Afinal, erros são sempre divertidos. Você nunca foi um erro, e não quero que você seja uma decepção. Lembra que eu te disse que não sei lidar com pessoas, porque elas sempre me decepcionam? Então. Se não me entediam, me decepcionam. Pense que você pelo menos nunca, nunca, nunca me entediou. E isso é mais do que eu posso dizer sobre a maioria das pessoas. Não estou lhe pedindo nada, não mais, e nem fazendo drama. Eu apenas descobri que realmente passou e que não somos mais crianças ao ponto de ser tão bobos assim. Estou feliz por você, e mais do que tudo, realmente espero que você nunca mude. Você é especial, e eu também sou. E se algum dia você parar pra pensar em mim e sorrir, eu vou ficar extremamente feliz."
domingo, 27 de junho de 2010
Sinto Falta.
“Eu quero de volta todos os momentos, quero reviver tudo. Sinto falta dos nossos "para sempre", de você falando que era minha alma gêmea e que me amava mais que tudo. Das vezes que você ficava com ciúmes de mim, dos nossos passeios, dos nossos beijos, da forma como você conseguia me irritar. Sinto falta dos sábados perdidos fazendo nada, dos planos para o futuro, das nossas brigas bestas... Tudo me lembra você, eu daria tudo pra te ter somente por um dia dizendo que me ama, e que não foi tudo em vão, que nada era mentira e que a gente vai ser feliz como a gente foi. Quero de novo você perto de mim, se você soubesse como é difícil os dias sem as nossas conversas, ou como eu espero todo dia uma mensagem dizendo "eu te amo meu amor", igual as que você me mandava. Aquele lugar que você ficou me esperando pra gente se encontrar... Eu sempre vou lá, isso me faz sentir mais perto de você, fecho os olhos e fico relembrando de todos os nossos momentos juntos. Eu queria morrer para essa dor passar, porque é a única forma. Queria voltar para o dia em que eu te conheci, para ao menos tentar mudar o nosso começo, para não ter um fim. Eu não quero que você me decepcione novamente, não quero. Eu daria o mundo para te ter de volta, por mais que eu esconda isso, eu ainda te amo. Eu não sei e não entendo porque terminou dizendo que me amava, eu não sei e não entendo porque terminou dizendo que eu era maravilhosa(o) e que não queria me magoar, eu não sei e não entendo o que passou pela sua cabeça, eu não sei e não entendo como foi tão fácil para você dizer adeus. Acho que o que mais me incomoda é quando falam: "Isso é normal, acontece com todo mundo!" Eu sei, mas só eu sei também o que eu estou sentindo. Ou quando dizem: "Isso passa, existe coisa pior!" Eu sei que passa, mas ainda não passou. Com certeza existe coisa pior, mas no momento essa é a MINHA coisa pior. Então, por que não respeitam? Sei que o que tiver que ser, será. Mas tenho medo, muito medo de ter acabado com a chance de ficar ao lado da pessoa mais perfeita que eu já conheci, mesmo com seus milhares de defeitos. Ele(a) foi o(a) único(a) que trouxe algum significado para a minha vida, o(a) único(a) que me fez crescer, o(a) único(a) que eu amei e amo verdadeiramente.”
sábado, 26 de junho de 2010
Vai passar.
“Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói, é horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo: arde, depois passa. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta as dores da vida. Pense assim: agora está insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou, agora já são dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que há duas linhas atrás. Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já está lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo para ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: "É melhor viver do que ser feliz". Porque para viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado para trás, cai. Dói, eu sei como dói. Mas passa. Está vendo a felicidade ali na frente? Não, você não está vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la para trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.”
Eu sei...
“Eu sei que por muitas vezes você perdeu o fôlego só por estar ao lado dele e deseja impacientemente que a sua perda de fôlego hoje fosse pelo mesmo motivo, ao invés de ser pela falta que ele te faz. Eu sei que quando você olha pra algum canto da sua casa em que ele esteve ou em que você esteve com ele, bate um aperto no peito. Eu sei que todas as vezes que o telefone toca perto das nove, você deseja que seja ele. Eu sei que em algumas noites você deseja com toda a sua força que o sono venha, porque você não suporta mais pensar que não o verá no dia seguinte. Eu sei que você fica pensando naquele sorriso doce que só ele tinha, no jeitinho que ele balançava o cabelo e na forma toda desleixada dele andar. Eu sei que ás vezes você se pega imaginando cenas onde você e ele estão juntos e felizes novamente. Eu sei o quanto você sente falta daquele abraço apertado, e também sei que você faria de tudo para sentir ele só mais uma vez. Sei que tem vezes que você fecha os olhos e parece que está beijando ele novamente, como se fosse a primeira vez. Eu sei muito bem o quanto você sente falta dos beijos dele. Sei de tudo isso e mais um pouco. Sei que você se preocupa com o jeito que sai de casa, porque sai pensando que por um deslize você o encontre na rua. Sei que você é capaz de tudo pra ter ele de volta. Aqueles defeitos irritantes que só ele tinha, aquele jeito teimoso e aquela mania de sempre querer te tirar do sério, eu sei da falta que isso faz. Eu sei que você revive cenas, volta no tempo, deseja que seu passado se torne presente mais uma vez. E eu sei a dor que você sente quando descobre que seus planos de um futuro ao lado dele, não serão mais realizados. Eu sei o quanto as lembranças insistem em aparecer na sua mente. Eu sei que cada detalhe, cada lugar, faz você lembrar dele. Eu sei que você se proibiu de abrir aquela caixa com bilhetes, papéis, cartas, fotos, enfim, memórias. Mas eu sei também que você acabou fazendo o contrário, que já se viu abrindo a tal caixa diversas vezes e que ao fazer isso bateu uma saudade gritante no seu peito. Aquela música que ele cantou para você, a mesma música que tocou na primeira vez que vocês se beijaram, a música que era só de vocês, eu sei que você se proibiu de escutá-la. Eu sei que em algum dia você sentiu no ar aquele perfume que só ele tinha, e que ficou olhando para os lados na esperança de vê-lo novamente. Eu sei a falta que você sente do cheirinho dele. Eu sei como você sente falta dos amassos no elevador, no sofá, no cinema... e dos mil jeitos de esconder isso dos outros. Eu sei da confiança que você tinha nele, sei das palavras de conforto que ele te dizia que nem eram tão extraordinárias assim, mas que para você soavam como o melhor poema do mundo. Eu sei que você fica relembrando aquelas conversas que até um tempo atrás pareciam ser tão inúteis, mas que hoje fazem muita falta. Sei da dor que você sente só de imaginar, que ele pode estar sendo feliz com outra pessoa. Seja pela falta, pela dor, pelas lembranças, pelos sonhos, eu sei muito bem das lágrimas que você já chorou e que infelizmente ainda vai chorar. Eu sei, e como eu sei. Também sei que você já cansou de encontrar jeitos para esquecê-lo, e que você talvez já se convenceu que nunca irá esquecer. Sei que você já buscou em outros rostos, outros corpos, uma forma de esgotar essa falta. Mas eu também sei que no final você viu que isso só aumentou seu sofrimento, e que assim descobriu que seu amor é realmente único e insubstituível. E eu sei que parece que ninguém entende o que você sente, e que tudo o que te dizem soa como "mais alguma coisa" para teus ouvidos. Eu sei que no meio de tantos amigos, risadas, momentos, você se sente perdida e que trocaria tudo pela companhia daquele menino. Eu sei o quanto você sente falta de fazer nada ao lado dele. Eu sei o quanto ele te dava atenção, e o quanto ele te fazia se sentir única e amada. Eu sei que você torce para seu celular tocar, e que seja ele dizendo que está com saudades e que quer muito voltar para você. Eu sei que você espera todos os dias pra receber de volta aquela mensagem: "tenha um bom dia meu amor". Eu sei que você abre diversas vezes o seu e-mail esperando encontrar algum oi que seja. Eu sei o quanto você gostaria de ouvir só mais uma vez um "eu te amo". Eu sei como você amou esse garoto. E eu sei também, e mais do que ninguém, o quanto você ainda ama esse garoto.”
(Fernanda Quartarolli)
(Fernanda Quartarolli)
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Encerrando ciclos
“Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração. E o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso estará apenas o envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa — nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão".
(Fernando Pessoa)
(Fernando Pessoa)
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